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Sem dinheiro, é possível viver? Heidemarie Schwermer mostra que é, em Entrevista Exclusiva p/o carlike.wordpress.com

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Todos sabemos que o sistema capitalista está ruindo, países em colapso financeiro, desemprego mundial, indices altíssimos de inadimplência, concorrência cada vez maior, muita gente endividada, bem, isto tudo não significa uma defesa do sistema socialista ou comunista, que também demonstraram ser um enorme fracasso.

Que tal você ser considerado pelo que você realmente é, mais do que pelo dinheiro e status que é obrigado a ostentar, para ser aceito nesta nossa sociedade materialista e consumista que vivemos. Isso lhe parece utópico? Pois, saiba que não é!

A alemã, ex-professora e psicoterapeuta, Heidemarie Schwermer, de 69 anos, vive há 16 anos sem dinheiro e este talvez seja o início de uma nova maneira de viver, baseada no altruísmo, no compartilhar e no respeito profundo pelo ser humano, pelo que ele tem de mais valioso, que é o seu próprio ser, ao invés do dinheiro ou da posição que ocupa.   Veja nesta entrevista exclusiva para o nosso blog (carlike.wordpress.com), o que Heidemarie tem à dizer:

1 – Quando a idéia de viver sem dinheiro começou?

HS – Quando eu vim para Dortmund(Alemanha) – uma cidade com um grande número de pessoas sem trabalho e dinheiro, eu comecei a pensar sobre o que fazer para ajudar. Nesta época eu era uma psicoterapeuta com minhas próprias práticas. Fundei um grupo de troca, onde as pessoas não precisavam de dinheiro para pegar as coisas que eles queriam ter. Eu, por mim, tinha notado que eu precisava cada vez menos de dinheiro e por isso decidi começar uma experiência: Eu queria viver um ano sem dinheiro. Esta experiência começou no dia 1 ª de maio de 1996 e dura até hoje, 16 anos ainda.

2 – Em sua vida diária, você realmente vive sem nenhum centavo no bolso ou no banco?

HS – No meu primeiro livro (minha vida sem dinheiro) Eu ganhei um monte de dinheiro, o qual eu dei para as pessoas que precisavam dele.

3 – Você tem uma conta bancária, cartões de crédito, cheques, etc?

HS – Sim, eu tenho um cartão onde os cheques podem entrar e eu posso dar.

4 – Você estava insatisfeita com sua vida e com o sistema capitalista?

HS – Estou muita insatisfeita com o sistema capitalista. Onde há algumas pessoas muito ricas e um monte de pessoas muito pobres, que ainda morrem de fome, eu não posso suportar mais isso.

5 – Livrar-se de tudo, até mesmo do seu apartamento, não te gerou muita insegurança?

HS – No início houve algumas inseguranças em mim. Mas eu sabia que eu poderia voltar para minha antiga vida, se não tivesse sucesso nesta nova.

6 – Onde você vive hoje, você está sempre se mudando de um lugar p/ outro, e, se este for o caso, não se cansa de fazer isso?

HS – Eu me mudo semana após semana. Nas casas diferentes há coisas diferentes para fazer. A maioria delas eu gosto muito e não me canso desta vida. Eu só fico cansada de falar sobre o que eu estou fazendo.

7 – Você acha que é possível para um pai ou uma mãe que ainda tem filhos pequenos para criar, viver assim?

HS – Acho que todo mundo poderia viver assim se ele ou ela quisessem. Mas, não é minha intenção dizer: Façam como eu! Quero mostrar que é possível viver de modo diferente do que nós estamos vivendo hoje. Eu acho que preparo algo futuro. Eu acho que nos próximos anos muita coisa vai mudar no nosso mundo por causa do dinheiro.

8 – Sabemos que o dinheiro não é nem bom nem ruim, depende de como a usamos, atualmente, no seu ponto de vista, quais são os efeitos negativos que o dinheiro pode trazer às nossas vidas?

HS – Eu nunca pensei que o dinheiro tivesse uma posição tão poderosa como ele tem hoje. Nos últimos anos eu notei uma sensação muito diferente na vida diária. Na maneira como lidar com as outras pessoas, há uma grande diferença entre fazer isso com dinheiro ou sem. Para agir com as pessoas sem dinheiro significa um profundo compromisso e posso dizer amor.

9 – Alguma vez você já passou fome, não tendo nada para comer?

HS – No início houve algumas situações ruins, mas não mais. Eu tive que superar meus medos.

10 – Já se sentiu como não ter para onde ir ou onde dormir?

HS – Não, minha rede de contatos é tão grande, que sempre há um lugar para mim em algum lugar.

11 – Esta situação de não ter dinheiro não cria muito estresse e dependência dos outros?

HS – Eu mudei a dimensão, eu acho. Tudo que eu preciso vem a mim, meus medos e todos os sentimentos de insegurança foram embora, em vez de isso, há uma grande quantidade de confiança que eu não tinha antes. Eu sinto fraternidade, amor e outros sentimentos agradáveis.

12 – Você já se sentiu com baixa auto-estima, pela falta de dinheiro?

HS – Sim, especialmente no início da minha nova vida. Mas, nos últimos anos eu estou tão certa de que todos nós temos que mudar alguma coisa e por isso estou contente com o que estou fazendo, ao invés de me sentir envergonhada.

13 – Como você lida com seus desejos de consumo, uma vez que, sem dinheiro, você não pode comprar um vestido ou um casaco que você gosta, nem comida, etc?

HS – A minha nova vida existe de uma maneira, que eu sei que tudo que eu preciso vem a mim. Eu nunca duvido, eu desejo algo sem dizê-lo, apenas pensando e não dura muito tempo e o que eu preciso vem à mim. As pessoas não entendem …

14 – Que tipo de trabalho você faz em troca de coisas que você precisa para sobreviver?

HS – Eu não troco mais nada, é mais como compartilhar o que faço hoje. No começo, eu sempre pensei sobre o que eu poderia dar de volta por todas as coisas que recebia dos outros. Hoje, às vezes eu dou muito, por exemplo, ou terapia, ou palestras ou entrevistas, duas horas por dia, eu ajudo as pessoas com consultas em e-mails e agora estou com uma amiga ajudando-a a mudar, e todas as coisas que eu faço eu nunca penso sobre, eu apenas faço, porque eu gosto muito. A diferença entre a minha vida atual e a de alguns anos é muito grande e isso depende de dinheiro.

15 – Quando você está trocando seus serviços com alguém, você pode escolher o que você vai receber deles?

HS – Eu nunca peço nada para alguém, porque o meu desejo (sem o dizer em voz alta) é o suficiente.

16 – Como você lida com situações cotidianas, tais como falar ao telefone ou celular, pegar um metrô, etc, sem ter dinheiro?

HS – Na Alemanha, quase toda família tem taxas baixas para o telefone, então eu posso usá-lo sem gastar dinheiro extra. Para o bonde ou ônibus há bilhetes que eu posso pedir aos outros sem pagar pelo meu próprio. É algo como uma partilha, não como mendigar como algumas pessoas pensam, porque os meus presentes são bons para os outros também.

17 – Se você ficar doente e precisar de medicamentos ou tiver necessidade de consultar um médico, como você lida com isso, uma vez que não está em condições de trocar seus serviços?

HS – Eu não vou à um médico há mais de 20 anos. Quando eu era mais jovem, eu era muito mais doente do que hoje. Eu acredito na auto-cura do ser humano.

18 – Você se sente dependente da caridade das pessoas?

HS – Não

19 – No seu aniversário, uma ocasião especial, quando costuma-se ganhar presentes, comemorar com um bolo, convidar amigos, etc, você precisa trocar seus serviços para obter esses itens?

HS – Eu não gosto desses itens e não preciso deles.

20 – Você tem alguma limitação para se deslocar pela cidade, para ir para outra cidade ou país, de trem, táxi, ônibus, metrô, avião, etc, como você lida com isso sem dinheiro?

HS – Eu sou convidada para palestras ou outras coisas e as pessoas me dão os bilhetes para os trens ou mesmo para o avião. Eu não quero uma tarifa especial, apenas o bilhete para ir vê-los.

21 – Minha impressão quando visitei pela primeira vez o site livingwithoutmoney, era que tudo era sobre o dinheiro, por causa do pedido de doações, etc, etc, isso é verdade?

HS – O site, que é o título do filme não tem nada a ver comigo e com o dinheiro. Eu sou apenas a protagonista, o dinheiro é para os cineastas.

22 – Você já foi considerada uma parasita social ou hipócrita?

HS – As pessoas que não conseguem entender o que eu estou fazendo pensam que eu sou uma parasita

23 – Você acha que seu exemplo pode motivar as pessoas a serem irresponsáveis e preguiçosas?

HS – Se eles não entendem a minha motivação, ele podem achar coisas falsas sobre as minhas mensagens.

24 – O que sua família pensa sobre sua decisão?

HS – No início, eles estavam cheios de tristeza, mas, agora eles gostam do que eu estou fazendo e sentem-se até um pouco orgulhosos de mim.

25 – Qual é a mensagem que você quer deixar para o público brasileiro?

HS – A mensagem é que podemos viver com confiança, com amor e boa vontade para com o outro. Não deve haver pobreza no mundo, nem fome, porque há o suficiente para todos nós. Se todo mundo pegasse apenas o que ele / ela precisa e nada mais, e começasse a compartilhar com os outros, então podemos ter um mundo maravilhoso. Se você tem mais perguntas ou não entendeu o que eu disse, pode me perguntar de novo.

Em relação a minha primeira pergunta:

1 – O grupo de troca que você fundou ainda está funcionando, qual é o nome do grupo, o link, qual foi o modelo que você usou lá, para trocar as coisas? Por exemplo, se meus sapatos estão velhos e eu preciso de outro par, eu posso ir lá e trocar meus sapatos velhos por outros sapatos, é algo assim? Este grupo de troca pode ser recriado aqui no Brasil, por exemplo?

HS – O nome deste grupo de troca é “Gib & Nimm Zentrale- Central dar e receber”. Foi há 10 anos, seis sem mim em Dortmund. Pessoas trocam seus serviços com os outros, por exemplo, se uma pessoa sabe cortar cabelos ela pode receber pão pelo serviço. Ou se alguém cozinha para outras pessoas ou sabe consertar carros ou bicicletas para os outros, pode trocar estes serviços pelo que precisa. Na Alemanha, em cada cidade existem muitas lojas, onde as pessoas podem entrar e pegar o que precisam sem ter que pagar. Cada um dá o seu know-how e recebe um outro serviço emtroca. Por que não fundar algo assim no Brasil? Muitas pessoas têm uma caixa com coisas que não precisam mais e todos os seus visitantes podem pegar alguma coisa sem pagar. Em grandes cidades como (Berlim, Viena, Munique) existem armários nas ruas, onde as pessoas dão e pegam livros de graça. É ainda um movimento, eu acho. Espero que o meu “dar e receber” se torne um movimento mundial também, porque é tão simples, e não necessita de qualquer organização…

Quanto a minha segunda pergunta:

2 – Em sua vida diária, você realmente vive sem nenhum centavo no bolso ou no banco?

HS – Os primeiros 11 anos eu não tocava em dinheiro. Agora estou um pouco mais liberal, não tão dogmática. Eu não preciso demonstrar coisa alguma, porque eu provei que desta outra forma é absolutamente possível. O núcleo do meu fazer foi alterado. Nos últimos 5 anos eu até recebo uma pensão. Mas eu a dou para as pessoas que precisam de dinheiro, porque eu não preciso disso. Eu não vou a lojas ou faço coisas que eu precise de dinheiro.

Uma vez que eu não li o seu primeiro livro, em sua vida diária, podemos supor que, às vezes, as pessoas lhe dão algum dinheiro, que você doa, ou nunca recebe dinheiro algum?

HS – Pelo meu primeiro livro, que está traduzido em várias línguas, mas, não em português, eu recebi um monte de dinheiro, que eu doei todo. Meu segundo livro, que está somente comigo, está em alemão e o terceiro livro “mundo milagroso sem dinheiro” é o seu título, ainda não tem tradução.

Na questão n º 6,

6 – Onde é que você mora hoje, que país você está agora, ou você pode estar em Hong Kong e depois ir para Holanda, em seguida, para a África, etc, é assim ou você só fica na Europa? Você disse que em casas diferentes você tem coisas diferentes para fazer, que tipo de coisas?

HS – No momento eu estou viajando apenas pela Europa: Alemanha, Áustria, Itália, Noruega, França, Suíça, Espanha, Holanda…As últimas viagens foram por causa do filme. Grupos convidam-me, me dão as passagens e tudo que eu preciso…

Na questão 7,

7 – Como é que um pai ou uma mãe podem criar seus filhos sem ter dinheiro para pagar a escola, para comprar comida, etc, acho que se alguém quer viver assim, primeiro você precisa fazer parte de um pequeno grupo de pessoas que pensam da mesma forma como você, e que troquem as coisas que você precisa trocar, está correto?

HS – Minha mensagem não é: faça o mesmo que eu. Estou mais preparando um futuro, algo novo.

Na questão 13

13 – Como você lida com seus desejos de consumo? Você respondeu que tudo que você pensa e precisa lhe vem facilmente. Uma vez que eu sou um praticante de meditação transcendental avançada, que eles chamam de siddha, eu às vezes, tenho experiências como as que você está dizendo, por exemplo, penso em alguma coisa e essa coisa acontece sem esforço. No seu caso, podemos supor que você tenha atingido um estado transcendental de conexão com a fonte, por livrar-se de tudo, que fornece tudo que você precisa, sem qualquer esforço ou dúvida?

HS – Não é tão transcendental meu estado, desde que a minha confiança na vida, Deus ou diga o que você quiser, se torna cada vez maior. Eu acho que todos nós somos criados para viver em um fluxo. A maioria das pessoas está tão ocupada em ganhar dinheiro, que não pode mais sentir a natureza. Dores e medos tornam-os escravos, em vez de ficarem mais livres.

Na questão 14

14 – Que tipo de trabalho você faz em troca de coisas que você precisa para sobrevivência?

HS – Não é uma questão de sobrevivência, mas, estou fazendo muitas coisas que eu adoro fazer no momento. Hoje estou ajudando uma amiga a mudar a sua habitação, às vezes eu sou apenas uma companhia para pessoas solitárias ou eu dou terapias ou ajudo com as crianças ou com o cão ou às vezes eu cozinho.

Você disse que a diferença entre o que fazia há alguns anos e agora é muito grande e isso depende de dinheiro, essa parte não ficou muito clara para mim, você quis dizer que depende ou não depende de dinheiro?

HS – No início das minhas atividades eu sempre pensei sobre os valores e o que eu tinha que dar em troca por este ou aquele presente. Foi difícil para mim começar somente a pegar as coisas, sem pensar nisso. Agora há uma grande mudança: Hoje eu não penso mais sobre isso, eu sinto apenas que estou em harmonia.

Você segue alguma crença espiritual?

HS – Eu acredito em um mundo em que todos têm um bom lugar. Eu acredito em um mundo onde podemos compartilhar tudo com os outros

Que tipo de comida que você come?

HS – Eu não como animais

Eu não lhe perguntei se você tem o seu próprio site, em vez de livingwithoutmoney?

HS – Meu website é: www.heidemarieschwermer.com, você pode pegar uma foto de lá. Há apenas um artigo em Inglês. Desculpe, o resto está em alemão.

Todos percebemos que o sistema capitalista está entrando em colapso rapidamente. A filosofia por trás de sua proposta é tão poderosa, uma vez que, ela é capaz de mostrar-nos que é possível mudar radicalmente a forma como as pessoas vivem hoje, como escravos robóticos, necessitando alienar seus cérebros com drogas, álcool, distrações tolas e consumismo, para não ficarem conscientes desta insanidade, comprar coisas que você realmente não precisa, ser julgado pelo carro que você tem, a marca da roupa que você usa, sempre comparando-se com os mais “bem sucedidos”, associando o seu valor como ser humano com o dinheiro, sentindo-se sempre péssimo interiormente e com uma auto estima muito baixa, e todo este blá-blá-blá que as empresas tentam nos vender o tempo todo. Neste cenário, quanto tempo ainda você acha que esse velho e doente sistema vai sobreviver, até que uma nova era e uma concepção de vida mais digna, surja,  e o que podemos fazer para acelerar este processo?

HS – Exato, tudo isso forma as minhas perguntas no começo. Minha resposta é que todos tem que fazer algum trabalho por si mesmos. Se ele ou ela não querem mudar, eles devem permanecer neste medo e todas as coisas ruins que o acompanham. Meu filosofia é esta: 1 – Cada um tem que se perguntar, por que está aqui na Terra, o que ele gosta de fazer que lhe dá alegria. Este é o caminho para o nosso interior (como a meditação ou o caminhar-se pela natureza) – de mim para mim. A cor verde na etiqueta (HS desenvolveu um sistema que utiliza etiquetas com cores). 2 – Cada um pode aprender com o outro. Se eu estou com raiva de alguém é porque essa pessoa me mostra uma coisa minha. A outra pessoa é um espelho para mim. Este é de mim para você – a cor amarela na etiqueta. 3 – Cada um tem que ser político, pensar sobre o que ele pode fazer para a sociedade. Este é de mim para nós – a cor vermelha. 4 – Viemos todos de uma só Fonte, a divina! Estamos aqui na terra para crescer em nosso espírito! Este é de mim para o todo, a cor azul, você pode ler mais sobre estas etiquetas no meu website.

Você acha que você veio de outro planeta?

HS – Eu não sei, não é meu interesse.

Existe alguma outra coisa, que eu tenha esquecido de perguntar-lhe, que você gostaria de dizer?

HS – Você perguntou bastante!

Você pode me enviar a sua foto, e algumas outras fotos, se você tiver, fazendo as coisas que você faz, para ilustrar para os leitores do meu blog, quem é você e o que você faz em sua vida diária para as pessoas? Então, vou anexá-las a este post.

HS – A fotos são um problema para mim – quer dizer, para enviá-las. Me agradaria muito se você pudesse procurar na internet. Sobre o meu nome e fotos, deve haver algo. Se há algumas outras coisas que você não entendeu, pergunte novamente. Eu não me sinto incomodada.
Tudo de bom para você, com os seus afazeres, os melhores votos, Heidemarie.

Sim, é possível!

Sim, eu posso!

Sim, nós podemos!…

Viver num mundo melhor!

Só depende de cada um de nós!

Equipe (carlike.wordpress.com)

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