Teoria do Óculos

oculosentulho1Há tempos tenho notado que pessoas que usam óculos, claro, além de terem problemas na vista, tiveram que de alguma forma, fechar os olhos para alguns aspectos da vida. Tiveram que se encaixar, que anular o que sua percepção via claramente. Entre eles conheço: jornalistas, médicos, advogados, engenheiros, professores, homens de negócio, etc. Observei também que gente que pode expressar-se abertamente, não usa óculos, vamos à alguns exemplos: Einstein, David Lynch, Pelé, Dali, etc. O ponto aqui é justamente sobre a amplitude ou estreitamento dessa visão, porque ninguém quer ter uma visão restrita das coisas, mas, muitas vezes não se tem escolha, a pessoa para sobreviver, manter sua família ou manter-se precisa trabalhar, e isso implica enquadrar-se em algum esquema pré-definido, que na maioria das vezes entra em conflito com nossa necessidade de sermos nós mesmos, de explorarmos todo o nosso potencial. Muitos vivem esse paradoxo, para existir, para viver, é necessário anular-se, seguir um padrão imposto de fora para dentro e que além disso, ainda exige performance, dedicação, sacrifício, exige um profissional capacitado, obediente, quando ao mesmo tempo, tira-se dele todas as possibilidades de auto-expressão, de criatividade, de iniciativa própria, isso sem dúvida leva à frustração, à limitação, à impossibilidade de realização, contexto perfeito para criar-se paliativos que supostamente gerem pelo menos alguns momentos de prazer, de saciedade, de alívio, de insania até, para depois retornar-se ao ciclo vicioso da insatisfação, do vazio e da busca frenética por compensações. Quem sabe não seja justamente por isso que tenhamos tanta bebida, tantas drogas, tantas guerras, tanta pornografia, tanto consumismo, tanta violência, tanta miséria em nossa sociedade. Não estou advogando aqui uma sociedade ideal, livre de todos os desvios e desequilíbrios da nossa atual sociedade, mas, porque não, uma sociedade mais consciente de suas próprias falhas, de seus próprios defeitos, que pudesse ter uma chance de reformular-se ao invés de ruir-se tão rapidamente quanto a de hoje. Aonde isso poderia nos levar ? À viver num mundo mais humano, onde as condições de vida fossem mais favoráveis, mas propícias à realização e a felicidade. A felicidade não deveria ser um ideal, nem algo passageiro, mas um componente básico do nosso dia à dia, a essência da nossa vida. Pessoas felizes não destroem, não agridem, não enganam, não impõem, não querem tudo para si, não desrespeitam, não odeiam, não desprezam, não deturpam, não roubam, não matam. Quem sabe não é chegada a hora de ajustarmos nossa visão para o que realmente importa, para o que realmente necessitamos, para o que realmente nos conduza à realização plena de nossos potenciais, tanto pessoais, sociais, ambientais, assim como humanitários, pois, a pior cegueira é a da conformidade diante da vida.

Anúncios

2 Respostas to “Teoria do Óculos”

  1. “as garotas do leblon não olham mais pra mim…”

  2. Alguns países, inspirado no Butão, estarão “medindo” sua economia por meio do FIB, Felicidade Interna Bruta.
    Existem conspirações a favor de um mundo melhor!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: