Arquivo para baixa auto estima

Sem dinheiro, é possível viver? Heidemarie Schwermer mostra que é, em Entrevista Exclusiva p/o carlike.wordpress.com

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Todos sabemos que o sistema capitalista está ruindo, países em colapso financeiro, desemprego mundial, indices altíssimos de inadimplência, concorrência cada vez maior, muita gente endividada, bem, isto tudo não significa uma defesa do sistema socialista ou comunista, que também demonstraram ser um enorme fracasso.

Que tal você ser considerado pelo que você realmente é, mais do que pelo dinheiro e status que é obrigado a ostentar, para ser aceito nesta nossa sociedade materialista e consumista que vivemos. Isso lhe parece utópico? Pois, saiba que não é!

A alemã, ex-professora e psicoterapeuta, Heidemarie Schwermer, de 69 anos, vive há 16 anos sem dinheiro e este talvez seja o início de uma nova maneira de viver, baseada no altruísmo, no compartilhar e no respeito profundo pelo ser humano, pelo que ele tem de mais valioso, que é o seu próprio ser, ao invés do dinheiro ou da posição que ocupa.   Veja nesta entrevista exclusiva para o nosso blog (carlike.wordpress.com), o que Heidemarie tem à dizer:

1 – Quando a idéia de viver sem dinheiro começou?

HS – Quando eu vim para Dortmund(Alemanha) – uma cidade com um grande número de pessoas sem trabalho e dinheiro, eu comecei a pensar sobre o que fazer para ajudar. Nesta época eu era uma psicoterapeuta com minhas próprias práticas. Fundei um grupo de troca, onde as pessoas não precisavam de dinheiro para pegar as coisas que eles queriam ter. Eu, por mim, tinha notado que eu precisava cada vez menos de dinheiro e por isso decidi começar uma experiência: Eu queria viver um ano sem dinheiro. Esta experiência começou no dia 1 ª de maio de 1996 e dura até hoje, 16 anos ainda.

2 – Em sua vida diária, você realmente vive sem nenhum centavo no bolso ou no banco?

HS – No meu primeiro livro (minha vida sem dinheiro) Eu ganhei um monte de dinheiro, o qual eu dei para as pessoas que precisavam dele.

3 – Você tem uma conta bancária, cartões de crédito, cheques, etc?

HS – Sim, eu tenho um cartão onde os cheques podem entrar e eu posso dar.

4 – Você estava insatisfeita com sua vida e com o sistema capitalista?

HS – Estou muita insatisfeita com o sistema capitalista. Onde há algumas pessoas muito ricas e um monte de pessoas muito pobres, que ainda morrem de fome, eu não posso suportar mais isso.

5 – Livrar-se de tudo, até mesmo do seu apartamento, não te gerou muita insegurança?

HS – No início houve algumas inseguranças em mim. Mas eu sabia que eu poderia voltar para minha antiga vida, se não tivesse sucesso nesta nova.

6 – Onde você vive hoje, você está sempre se mudando de um lugar p/ outro, e, se este for o caso, não se cansa de fazer isso?

HS – Eu me mudo semana após semana. Nas casas diferentes há coisas diferentes para fazer. A maioria delas eu gosto muito e não me canso desta vida. Eu só fico cansada de falar sobre o que eu estou fazendo.

7 – Você acha que é possível para um pai ou uma mãe que ainda tem filhos pequenos para criar, viver assim?

HS – Acho que todo mundo poderia viver assim se ele ou ela quisessem. Mas, não é minha intenção dizer: Façam como eu! Quero mostrar que é possível viver de modo diferente do que nós estamos vivendo hoje. Eu acho que preparo algo futuro. Eu acho que nos próximos anos muita coisa vai mudar no nosso mundo por causa do dinheiro.

8 – Sabemos que o dinheiro não é nem bom nem ruim, depende de como a usamos, atualmente, no seu ponto de vista, quais são os efeitos negativos que o dinheiro pode trazer às nossas vidas?

HS – Eu nunca pensei que o dinheiro tivesse uma posição tão poderosa como ele tem hoje. Nos últimos anos eu notei uma sensação muito diferente na vida diária. Na maneira como lidar com as outras pessoas, há uma grande diferença entre fazer isso com dinheiro ou sem. Para agir com as pessoas sem dinheiro significa um profundo compromisso e posso dizer amor.

9 – Alguma vez você já passou fome, não tendo nada para comer?

HS – No início houve algumas situações ruins, mas não mais. Eu tive que superar meus medos.

10 – Já se sentiu como não ter para onde ir ou onde dormir?

HS – Não, minha rede de contatos é tão grande, que sempre há um lugar para mim em algum lugar.

11 – Esta situação de não ter dinheiro não cria muito estresse e dependência dos outros?

HS – Eu mudei a dimensão, eu acho. Tudo que eu preciso vem a mim, meus medos e todos os sentimentos de insegurança foram embora, em vez de isso, há uma grande quantidade de confiança que eu não tinha antes. Eu sinto fraternidade, amor e outros sentimentos agradáveis.

12 – Você já se sentiu com baixa auto-estima, pela falta de dinheiro?

HS – Sim, especialmente no início da minha nova vida. Mas, nos últimos anos eu estou tão certa de que todos nós temos que mudar alguma coisa e por isso estou contente com o que estou fazendo, ao invés de me sentir envergonhada.

13 – Como você lida com seus desejos de consumo, uma vez que, sem dinheiro, você não pode comprar um vestido ou um casaco que você gosta, nem comida, etc?

HS – A minha nova vida existe de uma maneira, que eu sei que tudo que eu preciso vem a mim. Eu nunca duvido, eu desejo algo sem dizê-lo, apenas pensando e não dura muito tempo e o que eu preciso vem à mim. As pessoas não entendem …

14 – Que tipo de trabalho você faz em troca de coisas que você precisa para sobreviver?

HS – Eu não troco mais nada, é mais como compartilhar o que faço hoje. No começo, eu sempre pensei sobre o que eu poderia dar de volta por todas as coisas que recebia dos outros. Hoje, às vezes eu dou muito, por exemplo, ou terapia, ou palestras ou entrevistas, duas horas por dia, eu ajudo as pessoas com consultas em e-mails e agora estou com uma amiga ajudando-a a mudar, e todas as coisas que eu faço eu nunca penso sobre, eu apenas faço, porque eu gosto muito. A diferença entre a minha vida atual e a de alguns anos é muito grande e isso depende de dinheiro.

15 – Quando você está trocando seus serviços com alguém, você pode escolher o que você vai receber deles?

HS – Eu nunca peço nada para alguém, porque o meu desejo (sem o dizer em voz alta) é o suficiente.

16 – Como você lida com situações cotidianas, tais como falar ao telefone ou celular, pegar um metrô, etc, sem ter dinheiro?

HS – Na Alemanha, quase toda família tem taxas baixas para o telefone, então eu posso usá-lo sem gastar dinheiro extra. Para o bonde ou ônibus há bilhetes que eu posso pedir aos outros sem pagar pelo meu próprio. É algo como uma partilha, não como mendigar como algumas pessoas pensam, porque os meus presentes são bons para os outros também.

17 – Se você ficar doente e precisar de medicamentos ou tiver necessidade de consultar um médico, como você lida com isso, uma vez que não está em condições de trocar seus serviços?

HS – Eu não vou à um médico há mais de 20 anos. Quando eu era mais jovem, eu era muito mais doente do que hoje. Eu acredito na auto-cura do ser humano.

18 – Você se sente dependente da caridade das pessoas?

HS – Não

19 – No seu aniversário, uma ocasião especial, quando costuma-se ganhar presentes, comemorar com um bolo, convidar amigos, etc, você precisa trocar seus serviços para obter esses itens?

HS – Eu não gosto desses itens e não preciso deles.

20 – Você tem alguma limitação para se deslocar pela cidade, para ir para outra cidade ou país, de trem, táxi, ônibus, metrô, avião, etc, como você lida com isso sem dinheiro?

HS – Eu sou convidada para palestras ou outras coisas e as pessoas me dão os bilhetes para os trens ou mesmo para o avião. Eu não quero uma tarifa especial, apenas o bilhete para ir vê-los.

21 – Minha impressão quando visitei pela primeira vez o site livingwithoutmoney, era que tudo era sobre o dinheiro, por causa do pedido de doações, etc, etc, isso é verdade?

HS – O site, que é o título do filme não tem nada a ver comigo e com o dinheiro. Eu sou apenas a protagonista, o dinheiro é para os cineastas.

22 – Você já foi considerada uma parasita social ou hipócrita?

HS – As pessoas que não conseguem entender o que eu estou fazendo pensam que eu sou uma parasita

23 – Você acha que seu exemplo pode motivar as pessoas a serem irresponsáveis e preguiçosas?

HS – Se eles não entendem a minha motivação, ele podem achar coisas falsas sobre as minhas mensagens.

24 – O que sua família pensa sobre sua decisão?

HS – No início, eles estavam cheios de tristeza, mas, agora eles gostam do que eu estou fazendo e sentem-se até um pouco orgulhosos de mim.

25 – Qual é a mensagem que você quer deixar para o público brasileiro?

HS – A mensagem é que podemos viver com confiança, com amor e boa vontade para com o outro. Não deve haver pobreza no mundo, nem fome, porque há o suficiente para todos nós. Se todo mundo pegasse apenas o que ele / ela precisa e nada mais, e começasse a compartilhar com os outros, então podemos ter um mundo maravilhoso. Se você tem mais perguntas ou não entendeu o que eu disse, pode me perguntar de novo.

Em relação a minha primeira pergunta:

1 – O grupo de troca que você fundou ainda está funcionando, qual é o nome do grupo, o link, qual foi o modelo que você usou lá, para trocar as coisas? Por exemplo, se meus sapatos estão velhos e eu preciso de outro par, eu posso ir lá e trocar meus sapatos velhos por outros sapatos, é algo assim? Este grupo de troca pode ser recriado aqui no Brasil, por exemplo?

HS – O nome deste grupo de troca é “Gib & Nimm Zentrale- Central dar e receber”. Foi há 10 anos, seis sem mim em Dortmund. Pessoas trocam seus serviços com os outros, por exemplo, se uma pessoa sabe cortar cabelos ela pode receber pão pelo serviço. Ou se alguém cozinha para outras pessoas ou sabe consertar carros ou bicicletas para os outros, pode trocar estes serviços pelo que precisa. Na Alemanha, em cada cidade existem muitas lojas, onde as pessoas podem entrar e pegar o que precisam sem ter que pagar. Cada um dá o seu know-how e recebe um outro serviço emtroca. Por que não fundar algo assim no Brasil? Muitas pessoas têm uma caixa com coisas que não precisam mais e todos os seus visitantes podem pegar alguma coisa sem pagar. Em grandes cidades como (Berlim, Viena, Munique) existem armários nas ruas, onde as pessoas dão e pegam livros de graça. É ainda um movimento, eu acho. Espero que o meu “dar e receber” se torne um movimento mundial também, porque é tão simples, e não necessita de qualquer organização…

Quanto a minha segunda pergunta:

2 – Em sua vida diária, você realmente vive sem nenhum centavo no bolso ou no banco?

HS – Os primeiros 11 anos eu não tocava em dinheiro. Agora estou um pouco mais liberal, não tão dogmática. Eu não preciso demonstrar coisa alguma, porque eu provei que desta outra forma é absolutamente possível. O núcleo do meu fazer foi alterado. Nos últimos 5 anos eu até recebo uma pensão. Mas eu a dou para as pessoas que precisam de dinheiro, porque eu não preciso disso. Eu não vou a lojas ou faço coisas que eu precise de dinheiro.

Uma vez que eu não li o seu primeiro livro, em sua vida diária, podemos supor que, às vezes, as pessoas lhe dão algum dinheiro, que você doa, ou nunca recebe dinheiro algum?

HS – Pelo meu primeiro livro, que está traduzido em várias línguas, mas, não em português, eu recebi um monte de dinheiro, que eu doei todo. Meu segundo livro, que está somente comigo, está em alemão e o terceiro livro “mundo milagroso sem dinheiro” é o seu título, ainda não tem tradução.

Na questão n º 6,

6 – Onde é que você mora hoje, que país você está agora, ou você pode estar em Hong Kong e depois ir para Holanda, em seguida, para a África, etc, é assim ou você só fica na Europa? Você disse que em casas diferentes você tem coisas diferentes para fazer, que tipo de coisas?

HS – No momento eu estou viajando apenas pela Europa: Alemanha, Áustria, Itália, Noruega, França, Suíça, Espanha, Holanda…As últimas viagens foram por causa do filme. Grupos convidam-me, me dão as passagens e tudo que eu preciso…

Na questão 7,

7 – Como é que um pai ou uma mãe podem criar seus filhos sem ter dinheiro para pagar a escola, para comprar comida, etc, acho que se alguém quer viver assim, primeiro você precisa fazer parte de um pequeno grupo de pessoas que pensam da mesma forma como você, e que troquem as coisas que você precisa trocar, está correto?

HS – Minha mensagem não é: faça o mesmo que eu. Estou mais preparando um futuro, algo novo.

Na questão 13

13 – Como você lida com seus desejos de consumo? Você respondeu que tudo que você pensa e precisa lhe vem facilmente. Uma vez que eu sou um praticante de meditação transcendental avançada, que eles chamam de siddha, eu às vezes, tenho experiências como as que você está dizendo, por exemplo, penso em alguma coisa e essa coisa acontece sem esforço. No seu caso, podemos supor que você tenha atingido um estado transcendental de conexão com a fonte, por livrar-se de tudo, que fornece tudo que você precisa, sem qualquer esforço ou dúvida?

HS – Não é tão transcendental meu estado, desde que a minha confiança na vida, Deus ou diga o que você quiser, se torna cada vez maior. Eu acho que todos nós somos criados para viver em um fluxo. A maioria das pessoas está tão ocupada em ganhar dinheiro, que não pode mais sentir a natureza. Dores e medos tornam-os escravos, em vez de ficarem mais livres.

Na questão 14

14 – Que tipo de trabalho você faz em troca de coisas que você precisa para sobrevivência?

HS – Não é uma questão de sobrevivência, mas, estou fazendo muitas coisas que eu adoro fazer no momento. Hoje estou ajudando uma amiga a mudar a sua habitação, às vezes eu sou apenas uma companhia para pessoas solitárias ou eu dou terapias ou ajudo com as crianças ou com o cão ou às vezes eu cozinho.

Você disse que a diferença entre o que fazia há alguns anos e agora é muito grande e isso depende de dinheiro, essa parte não ficou muito clara para mim, você quis dizer que depende ou não depende de dinheiro?

HS – No início das minhas atividades eu sempre pensei sobre os valores e o que eu tinha que dar em troca por este ou aquele presente. Foi difícil para mim começar somente a pegar as coisas, sem pensar nisso. Agora há uma grande mudança: Hoje eu não penso mais sobre isso, eu sinto apenas que estou em harmonia.

Você segue alguma crença espiritual?

HS – Eu acredito em um mundo em que todos têm um bom lugar. Eu acredito em um mundo onde podemos compartilhar tudo com os outros

Que tipo de comida que você come?

HS – Eu não como animais

Eu não lhe perguntei se você tem o seu próprio site, em vez de livingwithoutmoney?

HS – Meu website é: www.heidemarieschwermer.com, você pode pegar uma foto de lá. Há apenas um artigo em Inglês. Desculpe, o resto está em alemão.

Todos percebemos que o sistema capitalista está entrando em colapso rapidamente. A filosofia por trás de sua proposta é tão poderosa, uma vez que, ela é capaz de mostrar-nos que é possível mudar radicalmente a forma como as pessoas vivem hoje, como escravos robóticos, necessitando alienar seus cérebros com drogas, álcool, distrações tolas e consumismo, para não ficarem conscientes desta insanidade, comprar coisas que você realmente não precisa, ser julgado pelo carro que você tem, a marca da roupa que você usa, sempre comparando-se com os mais “bem sucedidos”, associando o seu valor como ser humano com o dinheiro, sentindo-se sempre péssimo interiormente e com uma auto estima muito baixa, e todo este blá-blá-blá que as empresas tentam nos vender o tempo todo. Neste cenário, quanto tempo ainda você acha que esse velho e doente sistema vai sobreviver, até que uma nova era e uma concepção de vida mais digna, surja,  e o que podemos fazer para acelerar este processo?

HS – Exato, tudo isso forma as minhas perguntas no começo. Minha resposta é que todos tem que fazer algum trabalho por si mesmos. Se ele ou ela não querem mudar, eles devem permanecer neste medo e todas as coisas ruins que o acompanham. Meu filosofia é esta: 1 – Cada um tem que se perguntar, por que está aqui na Terra, o que ele gosta de fazer que lhe dá alegria. Este é o caminho para o nosso interior (como a meditação ou o caminhar-se pela natureza) – de mim para mim. A cor verde na etiqueta (HS desenvolveu um sistema que utiliza etiquetas com cores). 2 – Cada um pode aprender com o outro. Se eu estou com raiva de alguém é porque essa pessoa me mostra uma coisa minha. A outra pessoa é um espelho para mim. Este é de mim para você – a cor amarela na etiqueta. 3 – Cada um tem que ser político, pensar sobre o que ele pode fazer para a sociedade. Este é de mim para nós – a cor vermelha. 4 – Viemos todos de uma só Fonte, a divina! Estamos aqui na terra para crescer em nosso espírito! Este é de mim para o todo, a cor azul, você pode ler mais sobre estas etiquetas no meu website.

Você acha que você veio de outro planeta?

HS – Eu não sei, não é meu interesse.

Existe alguma outra coisa, que eu tenha esquecido de perguntar-lhe, que você gostaria de dizer?

HS – Você perguntou bastante!

Você pode me enviar a sua foto, e algumas outras fotos, se você tiver, fazendo as coisas que você faz, para ilustrar para os leitores do meu blog, quem é você e o que você faz em sua vida diária para as pessoas? Então, vou anexá-las a este post.

HS – A fotos são um problema para mim – quer dizer, para enviá-las. Me agradaria muito se você pudesse procurar na internet. Sobre o meu nome e fotos, deve haver algo. Se há algumas outras coisas que você não entendeu, pergunte novamente. Eu não me sinto incomodada.
Tudo de bom para você, com os seus afazeres, os melhores votos, Heidemarie.

Sim, é possível!

Sim, eu posso!

Sim, nós podemos!…

Viver num mundo melhor!

Só depende de cada um de nós!

Equipe (carlike.wordpress.com)

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Por que nos sentimos Menos ? O Dinheiro e a Auto-Estima / Why do we feel less ? Money and the self steem

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Vivemos numa sociedade perversa, que nos condiciona a assumirmos valores que não tem valor e que são, na melhor das hipóteses, distorcidos. Esta perversidade se torna ainda mais perigosa, quando não questionamos suas bases e apenas nos juntamos ao mar de pessoas que seguem suas vidas miseráveis material e emocionalmente, colaborando para que esse sistema se torne cada vez mais aniquilador.

É importante percebermos que esta “sociedade” ao qual nos referimos, não é uma massa disforme, distante e inacessível, como querem nos fazer acreditar, mas, sim, formada pelos valores de nossas famílias, pelos valores de nossos parentes, amigos, inimigos, chefes, funcionários, vizinhos, pais, mães, irmãos, enfim, pessoas comuns, que conhecemos ou não, que perpetuam a insanidade socialmente aceita, até que nós também nos tornemos um transmissor fiel desta mesma deturpação, nos impondo os piores castigos, caso não a respeitemos. Conscientes disto, temos pelo menos uma chance de modificar estes padrões de valores doentios, que se auto reproduzem indefinidamente, dentro e fora de nós.

Quais são esses valores ? Bem, podemos citar como exemplo, um dos mais arraigados e fundamentais deles, que é o valor atribuído ao dinheiro. O dinheiro em si, não é nem bom nem mal, ele depende do modo como o encaramos, do modo como o tratamos, porém, o dinheiro tem servido para encobrir nossas mais profundas distorções. Quantas vezes já não nos sentimos inferiorizados, menos favorecidos que os outros, rejeitados e excluídos de um grupo, de uma situação, de nossa família por não termos dinheiro ? Por não nos encaixarmos no padrão estabelecido por essa “sociedade”, que além de criar valores doentios, ignora deliberadamente qualquer tipo de individualidade e diferença e que alimenta a comparação como condição básica para medir nosso potencial.

Neste caso, estamos diante de um valor que nos diz claramente que: se você não tem dinheiro, você não tem valor, se você não tem dinheiro, você é menos, você é inferior, você é nada, você não merece estar vivo. A perversidade deste conceito está no fato de associarmos nosso valor pessoal, nossa auto-estima como seres humanos, nossa individualidade, nosso mais profundo estado de ser, ao quanto de dinheiro conseguimos gerar, conceito este totalmente equivoco. Ainda mais perverso, que também não importa da onde tenha vindo o dinheiro, contanto que ele esteja visível em forma de carros, casas, nº de cartões de crédito, roupas, viagens, contas bancárias, etc.

Não estamos afirmando aqui que o dinheiro seja sujo ou desnecessário, mas, sim, a forma como o dinheiro tem servido de pretexto para nos infligirmos os mais absurdos comportamentos, que fomentam a exclusão, o desafeto, a falta de compaixão, a inimizade, a violência, a doença, a ganância, a corrupção, a inveja, o complexo de inferioridade, a competição, a submissão, a anulação, a infelicidade, a depressão, a ansiedade, a ódio, o medo, o aprisionamento, etc.

Felizmente nem tudo está perdido, uma vez que existem tentativas de pessoas, que por inspiração ou missão de vida, abrem uma fenda neste sistema doentio e nos mostram que outros caminhos, talvez mais inteligentes, mais saudáveis e humanos são possíveis, como é o caso da ex-professora e ex-psicoterapeuta alemã de 69 anos: Heidemarie Schwermer que afirma que: “O dinheiro nos distrai do que é mais importante

We live in a perverse society that conditions us to assume values ​​that has no value at all and that are, at best, distorted. This perversity becomes even more dangerous when we do not question its bases and only join the endless sea of ​​people following their miserable lives materially and emotionally, contributing to the system to become even more annihilator.

It is important to realize that this “society” to which we refer, is not a shapeless mass, distant and inaccessible, as would they like us to believe, but, rather formed by the values ​​of our families, the values ​​of our relatives, friends, enemies, bosses, employees, neighbors, fathers, mothers, brothers, finally, ordinary people, we know it or not, that perpetuates this socially accepted insanity, until we also become a faithful transmitter of this  misrepresentation, imposing to ourselves the worst punishments, if we do not respect it. Aware of this, at least we have a chance to modify these ​​unhealthy values patterns that reproduce themselves indefinitely, inside and outside of us.

What are these values? Well, we can cite as an example, one of the most fundamental and rooted of them, which is the value assigned to money. Money itself is neither good nor bad, it depends on how we look at it, how we treat it, but, up to now, money has served to conceal our deepest distortions. How many times haven’t we  feel inferior, less fortunate than others, rejected and excluded from a group, of  a situation in our family for not having money? Because we do not fit to what was set by this “society”, which besides creating unhealthy values, deliberately ignores any kind of individuality and difference and that feeds the comparison as a basic condition to measure our potential.

In this case, we have a value that tells us clearly that: if you have no money, you have no value, if you do not have money, you are less, you are inferior, you are a loser, you are nothing, you do not deserve to be alive. The perversity of this concept lies in the fact of associating our self-worth, our self-worth as human beings, our individuality, our deepest state of being, to how much money you have or can generate, concept that is totally mistaken. Even more perverse, the fact that, it does not matter where your money came from, as long as it is visible in the form of cars, houses, number of credit cards, clothing, travels, bank accounts, etc.

We are not saying here that money is dirty or unnecessary, but up to now,  money has served as a pretext to inflict upon ourselves and others the most absurd behaviors that foster exclusion, disaffection, lack of compassion, enmity, violence, disease, greed, corruption, jealousy, inferiority complex, competition, submission, annulment, unhappiness, depression, anxiety, anger, fear, imprisonment, etc.

Fortunately we are not completely lost, since there are people’s attempts, who for inspiration or life mission, try to open a crack in this sick system we all live and try to show us that other ways, maybe smarter, healthier and more human are possible, as is the case the former teacher and former German psychotherapist of 69 years: Heidemarie Schwermer which states that: “Money distracts us from what is most important,”.

abs, regards,

Carl

O que você precisa saber p/que a mudança total em sua vida comece hoje !

Posted in Mudança de vida with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on maio 30, 2012 by carl1ike

Muitas vezes nos encontramos vivendo problemas que não conseguimos resolver há anos, problemas que parecem fazer parte de nossa estrutura interna mais intima de tão enraizados que estão, que parecem fazer parte de nossa personalidade e que nos põem para baixo o tempo todo, nos deprimindo, nos desanimando, nos dominando e com os quais não sabemos lidar, não vendo a mínima possibilidade de serem mudados, sejam eles de caráter emocional, psicológico, de relacionamento, familiar, financeiro, de saúde, existencial ou profissional.

Me refiro aqueles problemas, atitudes, comportamentos, auto imagens, sentimentos, pensamentos, julgamentos de nós mesmos que parecem cristalizados dentro de nós, pelos quais sofremos, nos debatendo internamente sem nunca visualizarmos uma saída e que além disso, recebem o tempo todo a confirmação externa das pessoas com as quais convivemos, nos fazendo fortalecer ainda mais a sua impossibilidade de solução e aumentando infinitamente nossa baixa auto estima.

Porém, agora, você pode solucioná-los. Sim, a saída, a solução para os seus problemas existe, aliás, não apenas uma saída ou uma solução existem, mas, várias. Apenas o que você precisa saber é que:

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” Você não pode criar nada se antes não pode concebê-lo”

e
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” Não há nenhum estado de ser, nenhuma experiência, nenhuma situação, conceito, sentimento ou objeto que já não exista no universo… Tudo no mundo existe em estado potencial…”.
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Portanto, assim que você perceber que a solução para os seus problemas mais difíceis já existe, você se concede o direito de viver esta solução, na verdade, estas várias soluções e abre espaço para que a mudança total em sua vida se inicie agora.
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(frases em negrito, extraídas do livro de Eva Pierrakos – O caminho da auto-transformação)

Poderosa Ferramenta para a Solução de Problemas Complicados: emocionais, financeiros, pessoais, de relacionamento, psicológicos, familiares

Posted in Solução de problemas with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 3, 2012 by carl1ike

Quanta vezes já procuramos a solução para os vários problemas em nossa vida e geralmente, o que nos ocorre é uma solução passageira, que em pouco tempo, nos remete a uma situação ainda mais complicada da que nos encontrávamos. Torna-se necessário portanto, encontrarmos alguma ferramenta eficaz, que consiga realmente nos libertar dos conflitos diários, dos conflitos de nossa existência para que possamos progredir.

Essa ferramenta está disponível à qualquer um que queira usá-la, porém, exige alguns pré-requisitos necessários para o sucesso de sua utilização, ou seja, conhecermos como funciona a base do nosso ser. Como todos sabem, somos energia e consciência, vindos da fonte suprema, que ao entrarmos na condição de matéria, baixamos nossa vibração, distorcendo princípios que nos distanciam cada vez mais desta mesma fonte, fazendo-nos crer que nossa vida se resume neste mar de sofrimentos e dificuldades.

Na perspectiva do plano superior, isso apenas se deve por causa de uma deturpação do princípio fundamental, que é o bem, a abundância, o progresso, a felicidade, a vontade de viver. Todos os estados que nos causam dor, como o ódio, o ciúme, a inveja, a competição, a baixa auto-estima, o egoísmo, a solidão, a separação, nada mais são que a energia básica, pura e elevada em forma distorcida, o que gera uma diminuição na frequência de sua vibração e consequentemente um bloqueio desta energia vital poderosa, que cessa de fluir através de nós, criando tensão, resistência, gerando-nos a sensação de isolamento, de letargia, de escassez, de dualidade, de falta de unidade e negatividade.

Resumindo, não devemos tentar descobrir maneiras para solucionar este ou aquele problema de forma pontual, mas, essencialmente, termos consciência que estamos bloqueados, que estamos resistindo, que estamos impedindo que este fluxo poderoso de energia passe através de nós, que estamos nos afastando deste acesso a fonte primordial, que é a única capaz de solucionar todos os nossos problemas de uma só vez.

Se assim permitirmos, se não nos esquecermos de nos conectarmos com o divino, assumindo que para isso, devemos encarar as nossas próprias limitações, sem julgamentos, teremos a chance de experimentar o poder do desconhecido, os chamados milagres deste campo ilimitado, que é o responsável por toda a criação do universo e essencialmente, a ferramenta mais poderosa para a libertação e solução de qualquer problema. A consequência natural deste religar-se, é tornarmo-nos também criadores, como a própria fonte que nos supre, e assim, exercermos toda a nossa plenitude aqui nesta existência, plenitude que é a nossa verdadeira natureza.

Relação entre a Baixa Auto Estima e os Comportamentos Auto Destrutivos

Posted in Auto Estima with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 19, 2012 by carl1ike

Como podemos romper o ciclo de comportamentos auto-destrutivos gerados por uma auto-estima negativa? Como podemos aumentar nossa auto-estima? O que sentimos sobre nós mesmos afeta nossa forma de agir, seja no trabalho, no amor, no sexo, como nos portamos como pais, e até mesmo nosso sucesso ou fracasso. Todas as dificuldades psicológicas – depressão ou ansiedade- vício do álcool ou drogas, comportamento agressivo com a família, disfunções sexuais ou emocionais, suicídio ou crimes violentos, estão relacionados com a auto-estima negativa. A auto-estima positiva é importante para uma vida satisfatória. .Quanto maior nossa auto-estima melhor trataremos as outras pessoas, com respeito, benevolência e boa vontade, pois não veremos os outros como ameaça, uma vez que o auto-respeito é o fundamento do respeito pelos outros. Auto-estima é o que eu penso e sinto sobre mim mesmo, não o que o outro pensa e sente sobre mim. Quando crianças nossa auto-confiança e nosso auto-respeito podem ser alimentados ou destruídos pelos adultos, conforme tenhamos sido respeitados, amados, valorizados e encorajados a confiar em nós mesmos. Mas, nos primeiros anos de vida, nossas escolhas e decisões são muito importantes para o desenvolvimento futuro de nossa auto-estima. E, de qualquer forma, seja qual tenha sido nossa educação, quando adultos o mundo está em nossas próprias mãos, ninguém pode nos dar auto-confiança e amor próprio. A verdadeira auto-estima não se expressa pelo ideal de tornar-se superior aos outros ou de diminuir os outros para se elevar. Temos também o auto-conceito que avaliamos de acordo com nossa auto-estima positiva ou negativa. Viver conscientemente é uma das condições para elevar nossa auto-estima. Estar consciente, por exemplo, é prestar atenção à forma de ser de uma pessoa, para saber como será conviver com ela, o que podemos e não podemos esperar dela. Estar inconsciente, por exemplo, é casar-se com uma pessoa e reclamar depois, de forma surpresa, de certos comportamentos óbvios que ela manifesta e que conduzem a conflitos no relacionamento. É iludir-se, pensando que depois será diferente, não enxergar a realidade. No trabalho com a auto-estima, ênfase também é dada para a auto-aceitação. Significa ver e aceitar o que sentimos e o que somos sem bloqueios. Aceitar não significa necessariamente gostar do que percebemos em nós. Também não significa que não podemos desejar mudanças e melhoras. Significa vivenciar sem negar. Aceitar deixa-nos aptos às mudanças. Não podemos mudar as coisas cuja realidade negamos. Podemos temer tanto nossos pontos positivos quanto nossas fraquezas, e, desta forma, falta à auto-aceitação. É importante olharmos para nós mesmos com benevolência e vontade de entender (sem negar o erro de nosso comportamento). 
Conforme os anos vão passando e vamos crescendo, nos tornando adultos, fica reservado um espaço já tomado e preenchido por um sentimento de desamor por si mesmo. Mas, essa auto-imagem negativa que vai se formando a partir de sentimentos infantis, pode ser transformada a partir da autoconsciência e da determinação em transformá-la. Como diz o Dalai Lama, “… é hora de arrancar a flecha, não de saber quem a atirou”… Ou seja, não importa mais quem feriu quem provocou esse sentimento, ou por que você tem uma auto-imagem tão baixa, importa sim você se olhar de frente e se determinar a transformar esse estado de ser negativo para um estado mental mais positivo.

Podemos sentir arrependimento, mas não auto-condenação. Um dos piores erros é acreditar que o sentimento de culpa representa um tipo de virtude. Há pessoas que, quando jovens, são encorajadas por pais insensíveis ou pouco cuidadosos a acreditar que foram más ou inadequadas, e, mesmo como adultos, sentem-se impelidos a dar “razão” aos pais, protegendo assim o relacionamento pais-filhos, à custa da sua própria realização e auto-estima. Esse processo pode durar até muito tempo depois de os pais morrerem. O drama é interno. Se nossa meta é avaliar a nós mesmos e o nosso comportamento de maneira adequada, abrindo caminho para uma auto-estima mais elevada, precisamos muitas vezes voltar ao passado, para aquele “eu” que fomos num momento anterior da nossa história pessoal, para abraçar e “perdoar” a nós mesmos, e nos religar ao nosso eu – criança e ao nosso eu – adolescente. Pessoas que possuem elevada auto-estima vivem de forma ativa, não passiva, assumem plena responsabilidade por conquistar o que almejam, não esperam pelos outros para realizar seus sonhos, não se lamentam, e aceitam a responsabilidade pela própria existência. Outro tópico relevante para a elevação da auto-estima é viver com autenticidade. As mentiras mais devastadoras para a nossa auto-estima não são tanto as que contamos, mas as que vivemos. Assim, estou vivendo uma mentira quando finjo um amor que não sinto; quando finjo uma indiferença que não sinto; quando me mostro mais do que sou, ou menos do que sou; quando digo que estou zangado, mas, na verdade, estou com medo; quando finjo estar desamparado, mas na verdade estou manipulando; quando rio e quero chorar; quando finjo ter crenças sobre as quais não tenho convicção, só para ser aceito; quando digo admirar certo tipo de pessoa enquanto durmo com outro. Por outro lado, viver de forma autêntica não significa dizer compulsivamente a verdade, não significa revelar todos os pensamentos, sentimentos ou atos, independente do contexto, da sua adequação ou relevância, não significa contar voluntariamente verdades particulares de maneira indiscriminada ou promíscua, nem significa dar opiniões não solicitadas sobre a aparência das pessoas, ou fazer críticas exaustivas, mesmo que solicitadas. A maioria de nós recebeu uma educação que torna a apreciação da autenticidade muito difícil. Aprendemos muito cedo a negar o que sentimos, a usar uma máscara e a perder o contato com muitos aspectos do nosso eu interior, em nome do ajustamento ao mundo que nos cerca.

Quando nossa autoconfiança é abalada por uma má formação de nossa auto-imagem, temos muito medo de dar passos à frente, e muitas vezes perdemos a capacidade mais sublime que temos: a capacidade humana de sonhar.

Quando nossa auto-imagem não é bem clara a nós mesmos, quando o espelho no qual nos olhamos se encontra repleto de poeira, podemos seguir por dois caminhos distintos: podemos nos destruir através da construção e manutenção de uma auto-imagem negativa, em que não nos damos nenhuma chance de crescimento, exigimos muito pouco da vida e de nós mesmos, na certeza de que não merecemos a felicidade, ou nos tornamos arrogantes.
Arrogância é a característica daquele que arroga direitos que não têm, daquela pessoa que tem uma altivez excessiva. Sua energia se concentra na parte superior do corpo, e sua superioridade o distancia de seus irmãos humanos, pois ele se vê e se coloca acima dos demais. No budismo, a arrogância é considerada como uma das emoções doentias básicas.

Como diz o Dalai Lama: “Em geral, creio que ser honesto consigo mesmo e com os outros a respeito do que se é, ou do que não se é capaz de fazer, pode neutralizar essa sensação de falta de auto confiança”.

texto de Maria de Fátima Jacinto

extraído do site: http://www.artigonal.com/auto-ajuda-artigos/como-romper-o-ciclo-auto-destrutivo-e-aumentar-nossa-auto-estima-3705491.html

 

Pais tóxicos – como libertar-se deste trauma

Posted in Pais tóxicos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 29, 2012 by carl1ike

“Nenhum pai consegue estar emocionalmente disponível a toda a hora e é perfeitamente normal que um pai grite com uma criança de vez em quando. Qualquer pai se torna ocasionalmente controlador e a maioria dos pais já deu uma palmada no seu filho, mesmo que raramente. Será que estas falhas os tornam em pais cruéis ou inadequados?

Claro que não! Os pais são apensa seres humanos e têm os seus próprios problemas e dificuldades. A maioria das crianças consegue lidar com estas falhas ocasionais uma vez que tenham amor e compreensão para contrabalançar.

Contudo… existem muitos pais cujos padrões negativos de comportamento são consistentes e dominantes na vida da criança. Estes são os pais que causam danos! À semelhança de um químico tóxico, o dano emocional causado por estes pais estende-se a todo o ser da criança, e à medida que esta cresce, também esta dor a acompanha e cresce com ela. Que palavra melhor que «tóxico» para descrever pais que infligem traumas intermináveis, abusos e depreciações, e que, na maioria dos casos, continuam neste registro mesmo depois de as crianças crescerem?!

No entanto, existem excepções para o aspecto interminável e repetitivo desta definição. O abuso físico e sexual é de tal forma traumático que uma única ocorrência é suficiente para deixar um tremendo dano emocional.

Infelizmente, ser pai ou mãe é uma tarefa que exige capacidades cruciais, mas que não se aprende de outra forma que não através dos modelos que passam de geração em geração; através de pessoas que poderão não ter feito um bom trabalho e mascararam maus conselhos em sabedoria do mais velho.

O que é que os pais tóxicos fazem aos seus filhos?

Adultos filhos de pais tóxicos, independentemente de terem sido espancados em criança, deixados sós demasiadas vezes, terem sido tratados como incapacitados, superprotegidos, sobrecarregados com culpa, molestados ou abusados sexualmente, todos partilham de sintomas similares: auto-estima danificada que leva a comportamentos auto destrutivos. De uma forma única, todos se sentem desvalorizados, mal amados e inadequados.

Estes sentimentos elevam-se a um nível muito superior uma vez que estas crianças se culpam pelos abusos dos pais, muitas vezes conscientemente, outras vezes não. É mais fácil para uma criança indefesa e dependente aceitar a culpa de ter feito algo errado para merecer a ira do pai, de que aceitar o fato assustador de que não pode confiar no pai, o seu protetor.

Quando estas crianças crescem, elas continuam a carregar este fardo da culpa e da inadequação, tornando-se muito difícil, senão quase impossível para elas, construir uma auto-imagem positiva. A falta de valor próprio e confiança resultantes irão pautar a sua vida daí em diante.

Tem pais tóxicos?

Durante a sua infância:

1. O seu pai/mãe dizia-lhe que era mau ou que não valia nada? Chamava-lhe nomes insultuosos? Criticava-o constantemente?

2. O seu pai/mãe usava a dor física para o disciplinar? Batia-o com cintos, vassouras ou outros objectos?

3. O seu pai/mãe abusava de álcool ou drogas? Sentia-se confuso, desconfortável, assustado, magoado ou envergonhado com isso?

4. O seu pai/mãe encontrava-se severamente deprimido/a ou indisponível por causa de dificuldades emocionais ou doenças mentais ou físicas?

5. Teve que cuidar do seu pai/mãe por causa dos problemas deles?

6. O seu pai/mãe alguma vez lhe fizeram algo que tivesse que ser mantido em segredo? Foi sexualmente molestado de alguma forma?

7. Sentiu muitas vezes medo do seu pai/mãe?

8. Sentia medo em expressar raiva aos seus pais?

Na sua vida adulta:

1. Encontra-se atualmente em relações destrutivas ou abusivas?

2. Acredita que se se aproximar demasiado das pessoas elas acabarão por magoá-lo ou abandoná-lo?

3. Espera o pior das pessoas e da vida em geral?

4. Sente dificuldades em perceber quem é, o que sente ou o que quer?

5. Tem medo de que se as pessoas o conhecerem realmente não vão gostar de vc?

6. Sente-se ansioso quando obtém um sucesso e ao mesmo tempo assustado com a ideia de que alguém vai descobrir que é uma fraude?

7. Fica triste ou irritado sem razão aparente?

8. É perfeccionista?

9. É difícil para si relaxar e apreciar o momento?

10. Apesar das suas melhores intenções, percebe-se, por vezes, a comportar-se exatamente como o seu pai/mãe?

Na sua relação com os seus pais em adulto:

1. Sente que os seus pais ainda o tratam como uma criança?

2. As maiores decisões da sua vida continuam a basear-se na aprovação dos seus pais?

3. Experiencia reações emocionais e físicas intensas antes ou depois de passar tempo com os seus pais?

4. Sente medo em discordar dos seus pais?

5. Os seus pais manipulam-no com culpa ou ameaças?

6. Os seus pais manipulam-no com dinheiro?

7. Sente-se responsável pelo que os seus pais sentem ou pelo que os faz sentir? Acredita que a culpa é sua? A sua função é tornar as coisas mais fáceis para eles?

8. Acredita que, independentemente do que fizer, nunca será suficiente bom para os seus pais?

9. Acredita que algum dia, de alguma forma, os seus pais irão mudar para melhor e depois será mais fácil? Algum dias as coisas irão mudar por si?

Como libertar-se de pais tóxicos?

Se é filho de pais tóxicos, existem muitas coisas que pode fazer para se libertar do distorcido  legado de culpa e dúvida auto dirigida. Abandone a ilusão de que os seus pais irão mudar como que por magia e abrace a esperança realista de que se pode libertar emocionalmente do poder destrutivo que eles exercem sobre vc.

Independentemente de manter uma relação conflituosa com os seus pais, de manter uma relação civilizada mas superficial, de não os ver há muito tempo, ou de ambos terem já falecido, por mais estranho que possa parecer, continua a ser controlado por eles.

Os acessos de raiva dirigidos para estas relações esgotam as energias que deveria estar a canalizar para outras partes da sua vida. E mesmo depois de mortos, muitas vezes as suas influências se perpetuam em exigências, expectativas e culpa.

Atualmente, e depois de descobrir que pode ser ou ter sido vítima de pais tóxicos, emerge o conflito da culpa: “Então mas não sou eu o único responsável pelos meus problemas e pelas minhas dificuldades atuais?”

Claro que sim! Atualmente é responsável pela sua vida adulta, mas essa vida foi em grande parte construída com base nas experiências de infância sobre as quais não tinha qualquer tipo de controle.

Não é responsável pelo que lhe aconteceu na infância, enquanto uma criança indefesa!

Atualmente é responsável por tomar medidas construtivas para fazer algo em relação a isso!”

( Traduzido e adaptado de: Forward, S. (2002). Toxic Parents. New York: Bantam Books.)

extraído do site: http://comunidadeterapeuticacrtt.blogspot.com/2010/11/pais-toxicos.html