Arquivo para culpa

Sobre a questão do MEDO

Posted in medo with tags , , , , , , , , , , on março 18, 2016 by carl1ike

medo ok

QUESTÃO: Bhagavan, porque sofremos do medo e como podemos nos libertar dele?

“O medo está no centro da existência humana. Ele age como estímulo de todas as outras emoções.

A Natureza, o Universo, projetaram o medo para assegurar a sobrevivência física.

O cérebro inferior ou o cérebro do réptil é responsável por produzir uma reação de luta ou de fuga cada vez que há perigo para sobrevivência física.

À medida em que as civilizações cresceram, as sociedades prosperaram, a vida das pessoas tornou-se segura. A ameaça à sobrevivência física diminuiu.

Daí em diante, o foco mudou para o campo psicológico.

Então surgiu a mente com forte sentido de identidade individual, criando a territorialidade e divisão entre o “Meu e o “Não Meu”.

A mente humana é um mecanismo de sobrevivência, ganhou impulso com o medo como epicentro.

Quase todas as atividades da mente podem ser decifradas desse medo de sobrevivência.

É a mãe de todas as emoções.

Se observamos a raiz do ódio, é o medo de ser dominado ou esmagado que se manifesta como repulsão em relação a alguém.

A inveja, por outro lado, é o medo de ser ultrapassado em uma corrida.

Você se torna violento quando está inseguro ou quando sua estrutura psicológica está ameaçada por uma pessoa ou situação.

Culpa, é o medo de perder a boa imagem que exibe de si mesmo.

As feridas ou dor são, novamente, o medo de perder o amor, o medo de ser rejeitado quando percebe que é um “senhor ninguém” aos olhos de outra pessoa.

Conforme sua consciência cresce sobre o medo, fica claro que é uma mera projeção.

Não há nenhuma verdade.

A mente projeta uma identidade inexistente e luta por protegê-la.

É como um cego buscando um gato negro em um quarto escuro que não existe.

A mente embarcou em uma missão impossível, pois nunca chegará a um estado em que atinja a completa segurança.

Quando você se torna consciente de que o medo é uma mera projeção da mente, então você perde o medo do próprio medo.

O medo não pode ser resolvido; tem de ser dissolvido.

O medo não tem uma significância maior; não tem significado, a menos que você dê.

O entendimento intelectual fracassa ao tentar ajudar na eliminação do medo porque desafia a lógica.

Quando termina todo esforço para entendê-lo você o experienciará totalmente, e isso é liberdade.”

– Sri Bhagavan

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Como libertar-se da Culpa e Auto-Sabotagem

Posted in Como libertar-se da culpa e auto-sabotagem with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on abril 17, 2014 by carl1ike

escada

A culpa é um sentimento que sugere a falta de merecimento, o não permitir-se fluir, viver e desfrutar as boas coisas da vida. Se fizemos algo que consideramos errado, seja numa fase passada ou recente de nossa existência, este fato pode nos prender à padrões de auto-sabotagem e destruição que nos leva a viver uma vida opaca, sem brilho, enclausurados em sofrimentos e punições que muitas vezes são insuportáveis para nós e para os que nos rodeiam, estado interno, onde muitos acabam por sucumbir.

Todo nós já experienciamos situações, onde tudo estava indo bem, até que um pequeno detalhe, uma pequena ocorrência, acaba por destruir toda esperança e positividade, lançando-nos num turbilhão de problemas e conflitos, muitas vezes torturantes e intermináveis, que nos aniquilam interiormente, fazendo-nos confirmar que não somos dignos ou merecedores do bem que tanto almejávamos.

A lógica básica da culpa é: se sou culpado, preciso ser punido, e somos muito criativos e cruéis em nossas auto punições, somos na verdade o nosso pior carrasco.  Quanto sofrimento imposto, quantas possibilidades não realizadas, quantos anos de nossa vida gastos neste aprisionamento e falta de fluidez, que nos deprime a alma e nos faz muitas vezes pensar no suicídio.

É importante sabermos então de onde vem toda esta negação, toda esta capacidade de aniquilar as nossas próprias vidas. Todo ser humano é formado pelo Eu Inferior (ou a criança egoísta inconsciente, com toda a sua ignorância, destrutividade e todos os seus protestos de onipotência), o Ego Consciente (com todo o conhecimento e vontade conscientes) e o Eu Universal ou Superior (com sua sabedoria, seu poder e amor superiores, bem como sua compreensão abrangente da vida humana)

Para que possamos nos libertar destas situações negativas e deixarmos nossa vida fluir livremente, em todos os âmbitos, ou seja, da saúde, do bem estar, do equilíbrio, da prosperidade, do amor, da realização, dos relacionamentos, da profissão, é importante entrarmos em contato com nossa criança interna destrutiva, que desde cedo foi a responsável por criar concepções errôneas sobre nós e os outros, gerando ódios, rancores, maldade e qualquer sentimento negativo que nos invade atualmente.

Porém, este contato deve ser executado em conjunto com o nosso Ego Consciente, que nos provê a vontade de mudarmos, que sabe que não podemos continuar nestes mesmos padrões destrutivos, e com o Eu Superior, que é nossa essência divina, que é quem nos fornecerá as orientações e a força suficiente para conseguirmos encarar toda esta destrutividade, sem sucumbirmos internamente, achando que somos por fim, toda esta negatividade que vemos em nosso ser.

O Ego consciente, precisa ser receptivo e não julgar a nossa Criança destrutiva e onipotente, com todos os seus traumas, fúrias e distorções, pois, a medida que formos deixando-a se expressar seguramente, sem porém, nos identificarmos com ela, seremos capazes de identificar o que nos faz infelizes e teremos a oportunidade de reconstruirmos nossa vida, de forma sólida e digna, e desta maneira, usufruirmos todas as boas coisas que estão destinadas à nós, desde o princípio.

 

Mude sua frequência para mudar sua realidade

Posted in Para mudar minha vida with tags , , , , , , , , , , , on junho 8, 2013 by carl1ike

Reprograme a sua vida indo até da fonte da criação

To change your life you need to change your frequency

Pais tóxicos – como libertar-se deste trauma

Posted in Pais tóxicos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 29, 2012 by carl1ike

“Nenhum pai consegue estar emocionalmente disponível a toda a hora e é perfeitamente normal que um pai grite com uma criança de vez em quando. Qualquer pai se torna ocasionalmente controlador e a maioria dos pais já deu uma palmada no seu filho, mesmo que raramente. Será que estas falhas os tornam em pais cruéis ou inadequados?

Claro que não! Os pais são apensa seres humanos e têm os seus próprios problemas e dificuldades. A maioria das crianças consegue lidar com estas falhas ocasionais uma vez que tenham amor e compreensão para contrabalançar.

Contudo… existem muitos pais cujos padrões negativos de comportamento são consistentes e dominantes na vida da criança. Estes são os pais que causam danos! À semelhança de um químico tóxico, o dano emocional causado por estes pais estende-se a todo o ser da criança, e à medida que esta cresce, também esta dor a acompanha e cresce com ela. Que palavra melhor que «tóxico» para descrever pais que infligem traumas intermináveis, abusos e depreciações, e que, na maioria dos casos, continuam neste registro mesmo depois de as crianças crescerem?!

No entanto, existem excepções para o aspecto interminável e repetitivo desta definição. O abuso físico e sexual é de tal forma traumático que uma única ocorrência é suficiente para deixar um tremendo dano emocional.

Infelizmente, ser pai ou mãe é uma tarefa que exige capacidades cruciais, mas que não se aprende de outra forma que não através dos modelos que passam de geração em geração; através de pessoas que poderão não ter feito um bom trabalho e mascararam maus conselhos em sabedoria do mais velho.

O que é que os pais tóxicos fazem aos seus filhos?

Adultos filhos de pais tóxicos, independentemente de terem sido espancados em criança, deixados sós demasiadas vezes, terem sido tratados como incapacitados, superprotegidos, sobrecarregados com culpa, molestados ou abusados sexualmente, todos partilham de sintomas similares: auto-estima danificada que leva a comportamentos auto destrutivos. De uma forma única, todos se sentem desvalorizados, mal amados e inadequados.

Estes sentimentos elevam-se a um nível muito superior uma vez que estas crianças se culpam pelos abusos dos pais, muitas vezes conscientemente, outras vezes não. É mais fácil para uma criança indefesa e dependente aceitar a culpa de ter feito algo errado para merecer a ira do pai, de que aceitar o fato assustador de que não pode confiar no pai, o seu protetor.

Quando estas crianças crescem, elas continuam a carregar este fardo da culpa e da inadequação, tornando-se muito difícil, senão quase impossível para elas, construir uma auto-imagem positiva. A falta de valor próprio e confiança resultantes irão pautar a sua vida daí em diante.

Tem pais tóxicos?

Durante a sua infância:

1. O seu pai/mãe dizia-lhe que era mau ou que não valia nada? Chamava-lhe nomes insultuosos? Criticava-o constantemente?

2. O seu pai/mãe usava a dor física para o disciplinar? Batia-o com cintos, vassouras ou outros objectos?

3. O seu pai/mãe abusava de álcool ou drogas? Sentia-se confuso, desconfortável, assustado, magoado ou envergonhado com isso?

4. O seu pai/mãe encontrava-se severamente deprimido/a ou indisponível por causa de dificuldades emocionais ou doenças mentais ou físicas?

5. Teve que cuidar do seu pai/mãe por causa dos problemas deles?

6. O seu pai/mãe alguma vez lhe fizeram algo que tivesse que ser mantido em segredo? Foi sexualmente molestado de alguma forma?

7. Sentiu muitas vezes medo do seu pai/mãe?

8. Sentia medo em expressar raiva aos seus pais?

Na sua vida adulta:

1. Encontra-se atualmente em relações destrutivas ou abusivas?

2. Acredita que se se aproximar demasiado das pessoas elas acabarão por magoá-lo ou abandoná-lo?

3. Espera o pior das pessoas e da vida em geral?

4. Sente dificuldades em perceber quem é, o que sente ou o que quer?

5. Tem medo de que se as pessoas o conhecerem realmente não vão gostar de vc?

6. Sente-se ansioso quando obtém um sucesso e ao mesmo tempo assustado com a ideia de que alguém vai descobrir que é uma fraude?

7. Fica triste ou irritado sem razão aparente?

8. É perfeccionista?

9. É difícil para si relaxar e apreciar o momento?

10. Apesar das suas melhores intenções, percebe-se, por vezes, a comportar-se exatamente como o seu pai/mãe?

Na sua relação com os seus pais em adulto:

1. Sente que os seus pais ainda o tratam como uma criança?

2. As maiores decisões da sua vida continuam a basear-se na aprovação dos seus pais?

3. Experiencia reações emocionais e físicas intensas antes ou depois de passar tempo com os seus pais?

4. Sente medo em discordar dos seus pais?

5. Os seus pais manipulam-no com culpa ou ameaças?

6. Os seus pais manipulam-no com dinheiro?

7. Sente-se responsável pelo que os seus pais sentem ou pelo que os faz sentir? Acredita que a culpa é sua? A sua função é tornar as coisas mais fáceis para eles?

8. Acredita que, independentemente do que fizer, nunca será suficiente bom para os seus pais?

9. Acredita que algum dia, de alguma forma, os seus pais irão mudar para melhor e depois será mais fácil? Algum dias as coisas irão mudar por si?

Como libertar-se de pais tóxicos?

Se é filho de pais tóxicos, existem muitas coisas que pode fazer para se libertar do distorcido  legado de culpa e dúvida auto dirigida. Abandone a ilusão de que os seus pais irão mudar como que por magia e abrace a esperança realista de que se pode libertar emocionalmente do poder destrutivo que eles exercem sobre vc.

Independentemente de manter uma relação conflituosa com os seus pais, de manter uma relação civilizada mas superficial, de não os ver há muito tempo, ou de ambos terem já falecido, por mais estranho que possa parecer, continua a ser controlado por eles.

Os acessos de raiva dirigidos para estas relações esgotam as energias que deveria estar a canalizar para outras partes da sua vida. E mesmo depois de mortos, muitas vezes as suas influências se perpetuam em exigências, expectativas e culpa.

Atualmente, e depois de descobrir que pode ser ou ter sido vítima de pais tóxicos, emerge o conflito da culpa: “Então mas não sou eu o único responsável pelos meus problemas e pelas minhas dificuldades atuais?”

Claro que sim! Atualmente é responsável pela sua vida adulta, mas essa vida foi em grande parte construída com base nas experiências de infância sobre as quais não tinha qualquer tipo de controle.

Não é responsável pelo que lhe aconteceu na infância, enquanto uma criança indefesa!

Atualmente é responsável por tomar medidas construtivas para fazer algo em relação a isso!”

( Traduzido e adaptado de: Forward, S. (2002). Toxic Parents. New York: Bantam Books.)

extraído do site: http://comunidadeterapeuticacrtt.blogspot.com/2010/11/pais-toxicos.html

Hipocrisia e Falsidade no Natal

Posted in Adoro ou Odeio o Natal with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on dezembro 20, 2011 by carl1ike

Ao contrário do que muita gente acredita, o Natal, ao invés de ser uma época de confraternização, de união, de amizade entre as pessoas e entre os familiares, pode se tornar uma fonte de hipocrisia e falsidade, gerando os piores sentimentos nas pessoas como: inveja, ódio, depressão, complexo de inferioridade, ciúme e fracasso, dependendo de como se encara esta comemoração. 

Uma das razões para isso é que nesta época, pelo contato mais próximo com os familiares, acentua-se o que mais tentamos guardar dentro de nós, que são os nossos medos, os nossos fracassos, a nossa inabilidade de lidar com nossas emoções e sentimentos mais negativos, que foram sendo deixados de lado durante todo o ano e que agora, nos vemos obrigados a confrontá-los.

Na verdade, todo este mal estar é causado pela projeção de nossas antipatias, de nossa falta de aceitação própria, de nossa raiva, nos outros, culpando-os por nos causarem todo esse incomodo. Se pudessemos reconhecer que somos nós mesmos quem geramos este nosso desconforto emocional, deixaríamos de dar tanta importância aos outros e nos focaríamos mais em nosso íntimo, na aceitação de nossas dificuldades, sem preconceitos, sem pré julgamentos.

 A época do Natal é na verdade uma época desafiadora, porque se cedemos às nossas aversões projetadas nos outros e nos isolamos, sentimo-nos deprimidos, se vamos à festa com o espírito combativo, sentimo-nos culpados, então o que fazer ? Talvez darmos aos outros o que gostaríamos de receber, pode ser um bom começo. Se vc se sente excluído por não receber presentes, ao invés de exigir, dê presentes. Se vc não suporta aquela pessoa da sua família que encontrará no dia do Natal, ofereça-lhe o melhor de vc, um simples sorriso, um simples coração aberto e desarmado, e veja o que acontece. Se vc está cheio de crítica pelos outros, simplesmente encontre algum ponto que seja positivo neles e exalte esta característica.

Ao tomar este tipo de atitude, vc diz ao universo e a sí mesmo que é vc quem cria as situações e sentimentos na sua vida, que vc não é uma vítima, que vc é responsável por tudo o que acontece com vc, então, se vc está focalizando o bem, o bem se multiplicará, se vc está aceitando o seu lado negativo, ele se sentirá amado e deixará de ser tão sombrio. No final das contas, perceberemos que o Natal nos oferece uma incrível oportunidade de auto conhecimento e superação e é por isso que tantas pessoas odeiam o Natal, pois, ainda não sabem como tirar o máximo dessa situação, ainda não sabem como tirar o máximo de si mesmos, mas, em breve saberão, Feliz Natal !!!

Obs: Caro leitor(a), se vc puder, deixe-nos um breve comentário de como foi o seu Natal, ok.

De Boa Vivant à Guia Espiritual – Quem foi Eva Pierrakos “Pathwork”

Posted in Pathwork - Quem foi Eva Pierrakos with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 5, 2011 by carl1ike
                                              
“Esta é uma entrevista na íntegra de Eva Pierrakos conduzida por Charles Rotmil, reproduzida com sua autorização. Charles Rotmil participa do Pathwork desde 1963 e esteve com Eva de 1963 ate seu falecimento. Atualmente reside em Maine.”

CHARLES: Poderia descrever o ambiente no qual cresceu?

EVA: Meu pai era um escritor muito famoso, nessa época. Mesmo depois de tanto tempo, ele ainda é relativamente famoso na Europa. Tínhamos um ambiente fantástico. Havia todos esses escritores, Thomas Mann, Bruno Walter, Herman Hesse, Arthur Schnitzler…que eram a elite intelectual de Viena. Eu desenvolvi um tipo de atitude anti-intelectual como protesto, que provavelmente foi minha forma de rebelião. De certa maneira, esse era ao mesmo tempo, um ambiente muito bonito. Muito culto … tínhamos dinheiro sem sermos ricos, mesmo assim tínhamos uma vida muito luxuosa. Tínhamos uma propriedade no campo, onde meu pai vivia com sua segunda esposa, e uma linda mansão, e eu cresci nessas duas casas.

CHARLES: Que idade tinha então?

EVA: Meus pais se divorciaram quando eu ainda era muito pequena e quase não tenho lembranças de quando eles viviam juntos. Desde quando posso me lembrar, eles estavam em litígio judicial e havia um ódio absoluto entre eles, apesar de que naturalmente, eu não tinha consciência disso na época. Eu fui uma criança muito feliz — eu somente sentia uma extrema inquietação quando via meus pais juntos. Isso era uma agonia. Por outro lado, minha madrasta e eu convivíamos bem. Ela era uma mulher dura e fria e eu não gostava dela; mas eu acreditava que gostava. Era uma mulher muito elegante. No verão, eu vivia três meses com meu pai, bem como no Natal e na Páscoa, o tempo restante eu passava, em Viena com minha mãe.

CHARLES: Como era o ambiente religioso nessa época?

EVA: Nenhum. Não havia nenhum. Meus pais, nem um nem o outro eram ateus; eles acreditavam em Deus, mas não falavam sobre isso. Havia uma orientação cristã, mas não havia uma educação religiosa.

CHARLES: Naquele tempo, qual era a sua concepção de Deus?

EVA: Não tinha nenhuma. Eu não pensava sobre isso.

CHARLES: Teve algum pressentimento ou aviso antecipado de algo excepcional acontecendo.

EVA: De maneira alguma! (rindo) Isso, dizendo muito pouco. Eu era, ao contrário, muito mundana. Nada espiritual. Estava completamente voltada para o exterior. Eu ria disfarçadamente, quando qualquer um falava sobre fenômenos psíquicos. De certa modo eu era muito superficial.

CHARLES: Quais eram, suas primeiras aspirações então?

EVA: Eu queria ser bailarina e comecei dançar ballet em criança. No inicio, ainda muito jovem, comecei a representar na escola. Meu pai era muito perfeccionista nessas coisas. Ele disse que, se eu não fosse uma bailarina ou artista qualquer de primeira classe, era melhor não ser nada… Desista durante dois anos. Se seu caminho é o de ser uma grande bailarina, você vai reiniciar o ballet. Não fiz isso, portanto penso que não era essa a minha vocação.

CHARLES: Com certeza dança hoje em dia. Lembra-se de ter tido, com pouca idade, algum sonho marcante?
EVA: Sim, mas não era nenhum prenúncio de tarefa ou algo assim. Isso veio depois.

CHARLES: Lembra-se de algum acontecimento de maior importância em sua infância que lhe causou impacto? O divórcio poderia ser um deles.

EVA: Realmente, o impacto era o constante clima de ódio entre meus pais, o processo judicial, a pensão alimentícia e a absoluta alienação entre meu pai e minha mãe. Esse era o clima constante, mas de alguma maneira consegui me acostumar a isso. Me adaptei a isto. Não podia nem mesmo imaginar um outro tipo de vida Em certo sentido, eu era como meus irmãos mais velhos e minha irmã. Havia uma considerável diferença de idade entre nós. Eles eram mais velhos do que eu e sofreram muito mais. Sabe, eles ainda se lembravam de quando meu pai e mãe viviam juntos, e isso foi muito dolorido para eles. Eles tiveram um trauma maior do que eu. Eu nem mesmo me lembrava deles (juntos). Por isso digo, que é melhor ter pais divorciados quando esses não se entendem, do que ficarem juntos por causa da criança. É um clichê tão bobo ficarem juntos por causa dos filhos. Isso não faz sentido.

Charles: Quantos anos você tinha quando teve o primeiro sinal de mudança ou de alguma coisa acontecendo?

Eva: Não foi uma mudança. Eu ainda era muito jovem, final da adolescência talvez. A mãe de uma amiga minha era espírita e fazia o jogo do copo. E nós fizemos. Foi no sul da França. Fizemos para nos divertir, e o copo começou mesmo a se mexer e a dar respostas. Eu não entendia, na época. Era “brincadeira de criança” e nós não sabíamos mesmo que estávamos brincando com fogo! No meio do dia estávamos na cabana de uma das garotas. A mesa se jogou contra mim e quase me bateu no estômago. Eu sei, não havia como ser um truque; fiquei muito desconfiada. Olhamos embaixo da mesa, mas havia somente estas duas outras garotas e eu. Este é o único fenômeno que eu lembro. E aí, eu não fazia idéia do que pudesse ter causado aquilo. Eu realmente não acreditava em espíritos. Eu não fazia idéia do que pudesse ter causado aquilo. Perguntava para as pessoas que sabiam mais a respeito e contava a eles o ocorrido. Perguntava para eles: “O que é isto? O que fez com que a mesa se movesse?” Ninguém conseguiu me dar uma resposta inteligente. Isto foi durante a guerra e eu não pensei mais a respeito. Então aquilo voltou bem mais tarde. Na primeira vez em que estive na Suiça, depois de ter estado nos Estados Unidos. Foi em 1952.

CHARLES: Aconteceu depois que veio para a América? Como veio aos Estados Unidos?

EVA: O pai de meu primeiro marido, Herman Broch, também era um escritor famoso. Ele nos deu um “visto por perigo”, porque estávamos na França durante a ocupação*. Foi antes de casarmos. Casamos quando viemos para cá. Assim cheguei na América. Isso foi em 1941…em seguida casamos. E eu me tornei cidadã* durante a ocupação**.
*cidadã – refere-se a tornar-se cidadã americana
**refere-se a ocupação alemã da França.

Charles: OK. E quando você voltou para a Suíça o que aconteceu? Você diz ter tido escrita-automática.

Eva: Em 1951, que foi mais ou menos um ano antes, eu estava em Zurique com a minha mãe, a minha irmã e o homem com quem eu vivia, o André, um príncipe russo com quem eu tive uma relação intensa, embora nós não tenhamos nos casado porque ele não conseguiu obter o divórcio. Minha mãe nos disse que tinha uma amiga, era médium, e talvez nós quiséssemos ir vê-la. Eu disse: “OK. Vamos lá. Vai ser divertido… como ir ao cinema.” Então ela disse: “Você tem que prometer levar a sério e não rir!” E foi assim que eu fui! (risadas) Estava toda preparada para rir. Foi muito interessante, me afetou, e eu percebi que não se tratava de uma coisa para rir. Havia algo em mim que me dizia para levar aquilo a sério. E eu escutei; e aí começaram estas palestras em transe. Acontecia de vez em quando, mas eu nunca tinha a menor idéia do acontecido. Era a última coisa que eu queria, mas era interessante. Comecei a ler livros sobre Fenômenos Psíquicos e Comunicação Espiritual. Abri a minha mente para estas possibilidades e me interessei. Aí esta mulher que nos levou até lá falou a respeito de reencarnação. Isto fazia sentido para mim, eu acreditava. Aí, esta mulher falou sobre a escrita automática e coisas do gênero. Ela tinha feito escrita automática uma vez, o que tinha se tornado muito perigoso porque ela não conseguira controlar. Agora, ela estava pronta para fazê-la de novo. Disse que eu poderia começar com ela. Eu disse: “Está bem, eu não tenho nada melhor para fazer!” Sentei-me com ela e ela começou a escrever automaticamente por um tempo. Então comecei a meditar a primeira vez na minha vida. Aí tive uma experiência interessante… Quase que me esqueço disso. Eu estava sentada, meditando, era verão, perto havia uma janela aberta. De repente, pela primeira vez, houve algum tipo de sinal. Isto foi em Zurique, na véspera de ano novo em 1950. Na Suíça, eles tocam todos os sinos de igreja. Foi então que eu senti alguma coisa, um poder incrível, como o poder de Cristo… como se os anjos estivessem lá. Eu não tinha nenhum conceito de tais coisas, mas foi alguma coisa tão forte que me forçou a ajoelhar. Foi incrível! Aí eu deixei isto de lado e esqueci completamente. Aquilo foi como um anúncio das coisas por virem. Este foi o mesmo ano em que eu fui levada à médium, sem saber o significado disto. Então, veio tudo muito rápido. Foi em 1951, início de 1952.

Novamente eu estava sentada perto da janela, meditando, no verão. Aconteceram muitas vezes, não apenas aquela. Senti um aroma incrível. Não era nenhum aroma que viesse de nada real. Olhei em volta do lado de fora. Não conseguia nem descrever este aroma. Era um aroma espiritual, mas ao mesmo tempo muito real e terreno. Provocou-me um sentimento tão inacreditável que não consigo descrever. Se for aproximado, era uma combinação de essências de madeira e metal. Era inacreditável. Imagino que os anjos tenham este cheiro. Quando isto me aconteceu, eu fiquei tão confusa. Junto com aquele aroma eu sabia que havia algum significado espiritual e eu deixei o assunto de lado. Aquilo foi muito forte. E então, talvez poucos meses depois daquilo, no verão de 1952, em agosto, eu ainda estava na Suíça, um dia eu estava sentada em casa e a minha mão ficou muito pesada, a minha mão direita. Eu estava sentada com os cotovelos sobre a mesa. Minha mão foi meio que puxada para baixo e começou a mover-se por conta própria. Peguei um lápis e ela se moveu. Fiquei muito entusiasmada. Eu não queria fazer escrita automática, e, ao mesmo tempo, estava fascinada. Não fiz muito, somente algumas linhas na diagonal atravessadas no papel. O fato de alguma coisa mover-se além da minha vontade era entusiasmante, assustador, fascinante, muito intrigante. No dia seguinte eu fui até a mulher que sabia a respeito disto e ela reagiu como se fosse algo trivial. Disse: “OK, você faz escrita automática.” Passei a sentar-me para isto duas ou três vezes por semana.

Charles: Você estava recebendo algum tipo de mensagem?

Eva: Vieram muitas escritas diferentes, mensagens. Era apenas um passatempo muito interessante. Jamais me ocorreu que aquilo se tornaria no que se tornou… Jamais me ocorreria em um milhão de anos.

Charles: Quando o Guia começou a se manifestar, houve um período em que ele lhe disse que você teria que passar por sua própria purificação antes que pudesse aceitar isto.

Eva: No começo da escrita automática houve muitos testes, muitas entidades diferentes vindo, uma mistura total de níveis… espíritos muito baixos. Tive que aprender a não acreditar no que diziam, que existem muitos perigos, comunicação errada, e a não engolir tudo o que diziam. Com muita freqüência eu era tentada a jogar tudo para o lado. “Talvez a Igreja esteja certa, você não deve ter nada a ver com isso – é muito confuso.”

Aí surgiram mensagens intermediárias que eram a tal ponto fenomenais, que foram incríveis – coisas que eu não tinha como saber, e que se verificou serem verdadeiras. Eram realmente impossíveis, coisas que eu nunca acreditaria que pudessem ser daquele modo. E elas eram verdadeiras. E coisas que eram falsas. Previsões! Embora eu não soubesse, na época, que não se deve preocupar-se com previsões… muitas coisas. Então, aos poucos, eu aprendi a lidar com estas coisas, a questionar estes espíritos, a aprender que muitos deles são simplesmente espíritos baixos e que precisam de ajuda. Mentem como seres humanos, fingem ser o que não são. Levei muito tempo para descobrir isto.

Muito gradualmente, aos poucos, uma vez ou outra, vinha uma escrita que era muito diferente. Mais tarde, fiquei sabendo que era o Guia: aconselhamento fantástico sobre desenvolvimento pessoal. Não vinha muito freqüentemente, mas realmente me testava pois estava misturado com estas outras coisas. Foi para mim, neste estágio precoce, um treinamento inacreditável lidar com isto. E havia tanta confusão. Chegou um ponto em que eu decidi que era demais, que não dava para mim. Desisti. Mas quando desisti tive um sentimento ruim, inacreditável, com se a vida tivesse ido embora de mim… como um frio em mim… escuridão em mim… Um sentimento de ter feito alguma coisa errada. Então, depois de dois dias eu retomei e me senti bem com isto. Mais ou menos ao mesmo tempo, a mediunidade auditiva se desenvolveu… não ouvir vozes, como vocês ouvem vozes, mas como se a falação estivesse dentro de mim, não no meu cérebro. Mais tarde isto acabou sendo o meu canal. O primeiro sinal da abertura do canal. Muitas coisas aconteceram em poucos meses. Nestes poucos meses, este aconselhamento incrível, lúcido, sábio, forte – eu acho que era o Guia, ele não se identificou – disse: “Sim, você tem uma tarefa!” E não me disse nada mais a respeito. O importante é o seu desenvolvimento pessoal. Então, mais tarde, na palestra falou-me diretamente o que eu tinha que fazer para enfrentar os meus problemas, dando-me guiança sobre como trabalhar comigo mesma.

Charles: Então você meio que tinha as palestras em microcosmos antes de chegarem… dentro de você!

Eva: Uma revisão diária… meu próprio canal escrevendo todas as noites… revisão diária. E sobre o que eu escrevia, as respostas vinham – escrita automática – e que direção tomar a respeito. Outra coisa: fui logo informada de que eu saberia mais do que esta outra mulher e que não precisava mais dela, embora precisasse porque eu não deveria fazer isto sozinha. “Você não deve fazer isto sozinha. É uma lei… uma lei Espiritual!”

Charles: Aterramento?

Eva: Sim, e o fato de que há decepções às vezes. É muito envolvente e você pode ser completamente pego nisto. Aí esta mesma voz, esta guiança, me disse que quando eu tivesse feito um aterramento suficiente na minha purificação, algumas outras pessoas seriam guiadas até mim, que também poderiam receber ajuda através deste canal e que me ajudariam me dando apoio e ficando comigo durante os transes e coisas do gênero. Naquela época – foi em 1952- o André e eu íamos voltar para os Estados Unidos. Ele tinha perdido o emprego com uma exportadora e não havia nenhuma razão lógica para presumir que voltaríamos para a Suíça porque ele precisava de um emprego e não se conseguia emprego para cidadãos americanos na Europa. Então o único jeito era voltar para os Estados Unidos. No que eu escrevia, vieram estas previsões incríveis. Naquele tempo eu ficava desconfiada com previsões. “Você voltará num futuro próximo porque precisa de treinamento. Haverá certas fases em que você precisará voltar.” Foi uma daquelas coisas. Eu a rejeitei completamente. Deixei de lado. Bem, no outono de 1952 nós voltamos para os Estados Unidos. Eu queria retomar porque tinha tido o estúdio de dança antes o qual tivera de abandonar quando fomos para a Europa.

Charles: Quer dizer que você estava dando aulas?

Eva: Não havia motivo pelo qual eu não devesse me sustentar, mas aí eu recebi esta mensagem: “Agora é hora de esquecer completamente – a escrita automática – qualquer tipo de fenômenos; você tem que se concentrar completamente no seu próprio desenvolvimento e não fazer nada mais. Você não deve nem trabalhar por este curto período de tempo.” Eu disse: “Como? Não é justo!” E o André foi muito bom a este respeito, ele aceitou. Então eu me concentrei realmente por um ano e meio mais ou menos; totalmente concentrada no meu próprio caminho. O canal só funcionava para isto. Somente me dizia tudo o que eu precisava a meu respeito. É por isto que quando eu ouço falar de pessoas que recebem mensagens fabulosas, como a Ann White, mas que não se trabalham, fico muito desconfiada.

Então, depois de um ano e meio de treinamento muito intensivo, pela primeira vez eu recebi o sinal verde: “O primeiro sinal verde vai ser dado a você agora. Você não tem que sair procurando ninguém… ele virá.” Eis que eu e uma velha amiga nos encontramos e falamos sobre estas coisas. Eu não recebi um convite, eu não fazia idéia. Ela me disse: “O quê? Você pode fazer isto? Poderia escrever isto para mim?”

Isto foi na cidade de Nova Iorque entre 1952 e 1954. No início de 1954, ela teve algumas sessões com o seu pai. Ela veio e eu fiz a escrita automática e nenhuma da coisas que vieram tinha nada a ver com fenômenos. Cada vez mais o que eu escrevia se direcionava a ajudar as pessoas com o seu próprio caminho. Este foi o início do canal.

O André estava procurando emprego. Um dia ele conseguiu uma oferta do Marquis de Cuevas Ballet. Sendo originalmente o Ballet de Monte Carlo, eram muito famosos em Paris. O Marquis era o marido da Margaret Rockfeller. Eram bons amigos do André que tinha este nível de “alta sociedade” em sua casa. O Cuevas o convidou para ser gerente deste ballet em Paris. Por toda a minha vida eu sempre estive a margem de dançar, primeiro com o Harkness Ballet e agora com o Marquis de Cuevas Ballet. Era tão engraçado, como se tivesse talvez um dia sido o meu caminho, mas não nesta vida. De qualquer forma, o André recebeu esta proposta muito interessante para ir para Paris como gerente do Cuevas. De um dia para o outro, nos vimos de volta à Europa. Eu havia esquecido completamente que isto era o que tinha sido previsto. Ficávamos um pouco em Paris, indo e vindo de Zurique. Então o André começou a viajar muito com eles e eu me vi, de alguma forma, de volta a Zurique, onde eu havia estado antes. Foi lá que o meu treinamento, a minha mediunidade continuou. Fui guiada a uma outra moça, que também era uma amiga, que passou a fazer as sessões comigo. Ela também canalizava e nós nos encontrávamos com regularidade; entramos nisto.

Então um dia veio a mensagem: “Esta é a hora certa para você começar a treinar para o transe.” “Eu não consigo entrar em transe, nunca consegui… é impossível!” “Sim, sim, você tem que fazer uma sessão.” Deram-me instruções sobre o que fazer. Falaram-me sobre como abrir mão dos pensamentos, como não pensar, como deixar a minha mente fluir completamente. Disseram-me que eu devia fazer isto duas vezes por semana na presença da outra moça. E depois que fizéssemos isto, haveria sessões em que viria a escrita automática. Cada vez menos estes outros espíritos vinham pois eu realmente tinha aprendido a controlar e a discriminar. A guiança – ou o Guia – vinham na escrita automática. Eu nunca tinha pensado que entraria num transe; eu estava tão “lá”. Acho que eu apenas perseverei. Aí, depois de um ano e meio de sessões, consegui entrar em transe. Profundo relaxamento.

De qualquer forma, a primeira vez que entrei em transe, nenhuma voz veio e eu apenas fiquei em transe. Foi um sentimento incrível, e daquela vez em diante eu consegui fazê-lo sem dificuldade. Então, na segunda vez que entrei em transe, veio a voz. Desde então, ela veio. Isto foi por volta do fim do outono de 1956.

Charles: Quem eram as pessoas do seu meio que deram suporte, que escutaram?

Eva: Naquela época, havia se formado um pequeno grupo em Zurique. Esta moça que mencionei aos poucos trouxe os outros seis, oito a dez pessoas e estes vinham com regularidade. Nos encontrávamos mais ou menos uma vez por semana para uma sessão com o Guia e ele lhes dava instruções. Foi por volta do fim da primavera de 1956 e início do outono. Uma das mensagens do Guia foi: “Quando você voltar para os Estados Unidos um grupo se formará. Mais tarde, outras pessoas virão e elas serão o núcleo do grupo que se formará em definitivo para a tarefa que você cumprirá.” Não dava nem para começar a inventar a coisa, é tão forçado. Logicamente a voz não me disse nada sobre a vastidão da coisa. Eu pensei que o faria como um passatempo… para amigos, sabe. Por diversão, por interesse – não achava que isto seria a minha vocação. Aí, voltamos aos Estados Unidos em 1956 e este grupo realmente se formou. Lembro-me muito bem quem eram as pessoas.

Charles: Quem eram?

Eva: Bem, você não os conhece. Havia entre seis e oito pessoas que se reuniam e eu lhes dava uma sessão de transe a cada duas semanas. Foi isto, sabe. Foi assim que começou.

Charles: Obrigado. Agora eu posso passar para perguntas recentes. Por exemplo, o que você pode dizer sobre a energia que você sente agora do Guia em comparação à energia que sentia na época?

Eva: Energia inacreditavelmente mais forte… Inacreditável. Não há comparação. Fica sempre mais forte, cada vez mais pura.

Charles: Deve haver um sentimento tremendo quando você entra em transe. Tem alguma maneira de você descrevê-lo?

Eva: É muito difícil colocar este sentimento em palavras. Sabe, as pessoas geralmente pensam em transe como sendo alguma coisa inconsciente e isto não é verdade. Pode haver estados de transe em que se fica realmente adormecido. Não é o caso. Não é que eu não fique consciente, fico super-consciente. Não sei se isto faz algum sentido: é uma super-focalização da consciência. Esta super-consciência é o canal. A minha mente fica fora disto. O que o transe realmente significa é o permitir que outra consciência venha, o que é uma super-focalização – uma intensificação da consciência – o que soa muito contraditório.

Por um tempo muito longo antes de entrar em transe, havia sempre uma pequena ansiedade que tinha a ver com o tempo em que eu recebia coisas sem sentido – ou não recebia nada – o que criava dúvidas a meu próprio respeito. No momento em que eu consegui entregar, entregar para a vontade de Deus, perdi aquela ansiedade e agora me sinto muito confiante. O que é realmente prazeroso é quando saio do transe. O sentimento é de uma tremenda realização e existe um tremendo fluxo de energia nova.

Charles: Só para mudar de assunto um pouquinho. Alguém me contou que, a única vez que você cancelou uma palestra do Guia foi quando um dos gatos morreu. Você poderia falar sobre isto? Também sobre a sua relação com a Psyque. Existe um significado para isto.

Eva: Isto é engraçado. É verdade.

Charles: É surpreendente: aconteça o que acontecer, você está lá.

Eva: Sim. Bem, no dia em que o gato morreu eu estava muito aborrecida. Eu adoro os meus gatos e tenho uma relação muito especial com eles e deduzi pelos meus sonhos que os meus gatos têm uma representação simbólica muito forte para mim. Os meus antigos gatos: o Patsy era o macho e a Micky a fêmea; e o Patsy morreu. De alguma forma aquilo foi o aviso do fim da minha relação com o André, que foi muito doloroso. Mas é claro que eu não sabia disso, quando aconteceu. Eu apenas vivi o luto pelo Patsy! Se você me perguntar sobre a relação entre os meus gatos e os meus sonhos… Bem, o Patsy era o princípio masculino e a Micky era o princípio feminino em mim. Foi muito interessante. Logo depois que eu conheci o John, a Micky morreu. E aí eu ganhei a Psyque. Quando a Micky morreu eu sabia que simbolicamente era a minha feminilidade antiga que já estava doente, e então morreu. A minha nova feminilidade e renascimento vieram com a Psyque. Ela era muito mais bonita e vibrante do que a Micky. Você tirou uma foto dela.

Charles: Sim, eu tenho a foto. Eu gostaria de perguntar: Parece-me que você teve três encruzilhadas na sua vida. Uma: a vinda do Guia. Segunda: a operação, e a terceira, a sua recente mudança de voz, o que abriu a sua receptividade. Se você pudesse falar sobre estes três pontos.

Eva: O Guia já falou sobre isto. Houve um outro ponto importante por volta da época da operação. Esta foi a crise mais importante da minha vida, e foi uma encruzilhada incrível no meu Caminho. Os místicos falam sobre “a noite escura da alma”. Foi o fim da relação com o André, que foi muito doloroso. Aí eu tive muitos problemas com as pessoas ao meu redor naquele momento… o Walter Heller, a Anne Heller, a Rose… pessoas que você não conhece.

Charles: Lembro deles.

Eva: Alguns deles você conhece. Tive muita discórdia com eles e muitas coisas negativas aconteceram. Eles eram realmente os pilares que haviam me sustentado! E a discórdia foi muito, muito dolorosa. De repente, me vi sozinha!

Charles: Isto parece a Queda.

Eva: Aí, foi quando o Patsy morreu, tudo aconteceu junto: um incrível enfrentamento das minhas próprias dúvidas sobre o meu canal e o seu significado. Enfrentei muitas dúvidas que eu tinha sobre a Fé. Foi muito difícil para mim enfrentar isto. Eu fiz; tive que enfrentar. Sabe, a Jane Roberts descreve isto também. De onde vem isto… Testes! Foi muito doloroso. Depois, a minha operação. É claro que eu pensei que era o fim da minha vida como mulher. Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Eu tive sonhos premonitórios a respeito, na ocasião: sonhos tremendos, grandes, o que foi um período de total inquietação, de testes na minha vida. Digo que se eu não tivesse passado por testes, o Caminho nunca teria se desenvolvido.

Charles: Isto parece o teste final!

Eva: Sim. Primeiro o canal começou e as pessoas vieram e foi bom, e palestras adoráveis iniciaram e a ajuda foi dada. Embora num primeiro momento a ajuda tenha sido dada numa sessão de transe pois eu não tinha o conhecimento de uma helper. Aprendi a ser uma helper nas sessões de transe, quando recebia o Guia. Isto aconteceu durante um tempo, então vieram estes testes! A enorme revolução… A noite escura. Aí eu saí daquilo e foi isso.

Charles: E agora? A voz é uma nova mudança.

Eva: Começou na primavera, em maio do ano passado. Eu tive uma vivência incrível de Cristo no Centro. Eu contei para você. Depois disso, a energia ficou incrível. Aí, eu peguei o vírus e o carreguei durante meses; não conseguia me livrar dele. A laringite aconteceu há dois meses e está realmente entrando em um nível de uma nova energia. Mas não está horrível como da outra vez.

Charles: Está mais suave. Como é que o John entra nisso tudo?

Eva: O John entra através dos Alpert. O Bert Alpert era paciente do John. Ele veio um dia até o John. Trouxe vinte palestras e disse: “conheço uma médium que tem um canal fantástico.” E quando o John ouviu a palavra médium ele quis ficar fora disto. Ele tinha muitas dúvidas. Mas o Bert disse: “Leia estas palestras.” Aí o John disse: “OK.” Então ele leu as palestras e ficou totalmente entusiasmado e disse que era incrível: era o que ele vinha procurando durante toda a sua vida. Disse: “Era tudo carne e não tinha batatas!”- foi esta a expressão que usou. Aí pediu o meu endereço para o Bert. Escreveu para mim; lembro-me com clareza. Voltei de Harkness no dia 4 de julho de 1966 e encontrei a carta do John Pierrakos: “Sou um psiquiatra de Nova Iorque e o material é muito incrível e eu gostaria de comprar todas as palestras e gostaria de falar com você.” Foi assim que o conheci.

Charles: Foi assim que ele veio às palestras.

Eva: Sim.

Charles: E aí, posso perguntar quando foi que começou o romance?

Eva: Pode perguntar, não é nenhum segredo. Ele escreveu a carta e eu respondi e dei a informação de que as palestras estavam disponíveis e que, se ele quisesse me ligar, seria um prazer falar com ele. Então ele me ligou e nós marcamos um horário. E eu lembro que José me ajudou a reunir todas as palestras; não sei quantas palestras havia, talvez cento e cinqüenta. Preparamos todas as palestras e o John apareceu lá. De imediato eu tive uma incrível simpatia por ele. E começamos a conversar e ele me falou da sua vida. Aí falou que sentia que tinha traído Reich. Era o tipo da coisa que se diria no Caminho. Eu disse: “Meu Deus!” Eu gostara tanto dele. Disse: “Este homem é incrível.” Depois eu soube que ele era casado e disse para mim mesma: “Esqueça isto, é ridículo.” Foi como uma vivência subliminar. Havia um tipo de familiaridade a respeito, uma sensação de que era isto! E ainda assim, o meu consciente dizia: “esqueça!”.

Charles: Parece uma tremenda reciprocidade.

Eva: Havia tanta identificação, tanto entendimento. Ele era exatamente como o homem que eu estava procurando, com a restrição de que era casado. Eu estava indo embora para Watchhill. E ele disse: “Vamos nos encontrar quando você voltar, eu gostaria de falar mais um pouco com você. E eu também gostaria muito de participar de uma sessão com o Guia e quero perguntar muitas coisas.”

Ah, esqueci, houve uma outra coisa muito interessante. Mais ou menos um ano antes eu conheci uma mulher inglesa que lia mãos (geralmente eu não me interesso nem um pouco por isso) cujo nome era Diane Elliot. Ela me foi recomendada pela Rebecca Harkness. Ela me falou: “Vai nesta mulher, ela é fantástica.” Ela tinha um pequeno apartamento no Carnegie Hall onde, mais tarde, recebemos as palestras durante um tempo. Fui até ela. Isto foi um ano ou dois antes de eu conhecer o John. Ela era uma mulher linda, muito espiritualizada. Assim que Diane entrou na sala – ela não me conhecia de Adam – me falou a respeito do meu canal espiritual. Disse: “Você tem uma energia fantástica.” Depois disso ela leu as palestras. Aí ela olhou as minhas mãos e me falou coisas fantásticas sobre o meu passado, absolutamente tudo. Então, disse: “Você vai conhecer um psiquiatra neste verão que está muito envolvido com campos de energia e é muito científico. Ele não está só praticando a psiquiatria, mas está muito envolvido com os aspectos científicos da energia. E ele é viúvo e vocês vão se casar e ter uma relação fantástica, um casamento muito bonito. Quando você voltar deste verão você vai conhecer este homem e terá uma conversa com ele.” (Isto foi em 1962-63) “e você vai achar a conversa com ele a mais estimulante que já teve.”

E, é claro, eu tinha esperado este homem, e ele não tinha aparecido: 1963 nada, 1964 nada, 1965 nada. Eu disse: “Esqueça isto, não faz sentido.” Desisti; esqueci completamente o assunto. Disse: “Você não pode acreditar nestas previsões.” Ela era ótima no que se referia ao passado, mas não ao futuro. Eu ainda não acredito em previsões do futuro, mas uma vez que outra acontece. Então, de qualquer forma, eu tirei isto da minha cabeça. Aí, quando eu vi o John a Segunda vez, passamos uma tarde juntos e conversamos. No final da conversa ele disse: “Bem, esta foi a conversa mais estimulante que já tive!” E eu disse: “Ai, meu Deus, o que foi que você disse?” E ele: “Qual é o problema? Você não concorda?” Eu disse: “Sim.” Eu não queria dizer nada a ele: eu ficava pensando o tempo todo: ele é casado! Esqueça!

Assim, conversamos e jantamos juntos e marcamos um horário para uma sessão com o Guia. Ele perguntou: “Quanto você cobra? Eu quero trabalhar com você. Preciso desta ajuda.” Minha voz interior me disse: “Se você se envolver com ele como profissional, nunca poderá haver nada entre nós.” E aí eu disse: “Não quero isto. Não cobro nada. Eu também quero aprender com você.” Era isto mesmo que eu queria dizer, mas era uma voz interior: “Se ele vier como profissional vai ser o fim, eu sei disso! O meu sentimento era tão forte, e ainda assim o meu mental dizia: “ele é casado, esqueça isto!” Então ele participou de uma sessão com o Guia e, na sessão com o Guia foi informado de que um dos seus problemas era ser muito infeliz em seu casamento que não tinha saída. Esta foi a primeira vez que eu me abri para ele. E foi assim que começou.

Charles: Que bonito! Mais uma coisa que eu gostaria de perguntar: Arosa. Sei que tem um significado especial, imagino a palavra “arising” do inglês. ( N.T.: arising= que surge, emergente) Qual é o significado para você? E para todos nós em Arosa? Você não costumava ir lá quando jovem?

Eva: Eu não ia à Arosa quando era jovem. Em 1963 a minha mãe morreu. Enquanto ela ainda era viva, de 1961 a 1963, eu ia à Arosa todos os verões com a minha irmã para visitá-la. Combinávamos a visita com as férias. E em 1963 ela morreu. E aí, de alguma forma eu tive a idéia de, ao invés de irmos lá no verão, poderíamos ir nas férias de inverno esquiar. Então, em 1965, fomos à Arosa no inverno. Gostei tanto de lá que não consigo comparar a nenhum outro lugar. É cheia de paz, é bonita, é ensolarada e tem mil vantagens que outros lugares não têm. Eu fui fisgada. Naquele tempo, para mim, era um tempo de férias necessário para descanso, reabastecimento e regeneração.

Todas as férias eram sempre uma preparação para uma nova fase no Pathwork e em mim mesma. Então eu fui lá em 1965 e 1966 com a Miana. Em 1967 eu já conhecia o John, mas é claro que ele não foi – ele nunca tinha esquiado na sua vida. Durante os anos que eu o conheci, fui lá sem ele. Eu tinha uma coisa que eu queria mostrar aquilo para ele, queria compartilhar com ele. Mas quando eu falava para ele, ele não se interessava. Sendo da Grécia, serra e neve não tinham nenhum significado para ele. Mas eu sabia que seria incrível se ele visse aquilo. Em 1969 foi a primeira vez que ele foi. Foi também nesta época que ele deixou a sua primeira esposa e veio morar comigo. Aí ele viu, começou a esquiar, teve aulas. Depois de umas dez aulas ele começou a gostar. O tédio inicial tinha acabado. Depois, em 1970, fomos lá juntos sozinhos. Acho que a Miana estava lá também e depois apareceu o meu irmão para nos visitar. Foi uma experiência incrivelmente profunda para mim em todos os níveis: a beleza – externa e interna- a regeneração interior espiritual e a preparação para coisas novas. Então desejamos poder dividir isto com amigos. Assim, o Bill e a Clare, o Bert e a Moira foram os primeiros a ir. Foi assim que começou. Acho que eles foram a primeira vez em 1971 ou 1972, não tenho muita certeza.
Todos os anos tem uma abertura. E todos os anos alguma coisa nasce lá, como o Centro.

Charles: Eu poderia dizer que quando ouço a estória fico estupefato, pasmo com os potenciais de cada um de nós. É uma estória realmente inspiradora e me enche de poder.

Eva: Eu lhe digo que não conseguiria nem ser justa porque é tão difícil de explicar. O começo, e o tatear, e o quanto eu não sabia nada na época. Na verdade, muitas destas coisas eu tive que aprender de maneira árdua, por tentativa e erro. Eu acho que quando as pessoas sentem ciúme de mim porque eu tenho o Guia e acham que eles poderiam sentar e fazer o mesmo eles não fazem a mínima idéia. Muito embora, com certeza, é muito mais fácil para eles agora do que foi para mim então, porque o Caminho está esboçado e eles têm a ajuda. No início, no entanto, houve muitos testes e muitas coisas pelas quais passar. Mas valeu a pena mil vezes. Eu faria tudo de novo – até as coisas mais difíceis. Pelo que é.

Charles: O que me impressiona é a idéia de dar pequenos passos. É impressionante como você deu passos muito pequenos sem fazer idéia da distância a que chegaria.

Eva: Nenhuma!

Charles: Mas você levou tudo a cabo. Eu lembro quando eu comecei no Pathwork, há treze ou quatorze anos atrás, senti que ele tinha atingido o seu apogeu, sabe. A cada palestra eu dizia: “É isso! É isso!”

Eva: Depois de cinco anos eu disse: agora nós temos tudo. Eu não sabia o que mais o Guia poderia dizer. Não conseguia imaginar o que mais poderia ser dito.

Charles: Há uma citação famosa de um poeta que não lembro o nome. Ele disse: “Pessoas como você deveriam viver mil anos.”

Eva: Que amor! Obrigada.

extraído do blog: pistasdocaminho.blogspot.com/2010/12/pathwork

para conhecer mais sobre o trabalho do Pathwork acesse:

http://www.pathworkbrasil.com.br

recomendamos a leitura do livro: “Nao temas o mal” de Eva Pierrakos.

para mais informações sobre este livro, acesse:

https://carlike.wordpress.com/2011/07/29/curando-as-feridas-do-passado-livro-nao-temas-o-mal/

Onde está a chave da felicidade e da capacidade de viver nossos sonhos ?

Posted in * "O Efeito Sombra" um dos melhores livros sobre auto-conhecimento with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on fevereiro 13, 2011 by carl1ike

A resposta é: em nosso eu mais sombrio, em nosso lado mais obscuro, encontra-se escondido nosso poder esquecido, encontra-se a chave capaz de destravar totalmente a nossa vida. Pode parecer um roteiro do filme do Harry Potter, mas, é exatamente isto que precisamos compreender. Não há ninguém que não considere sua sombra, seu lado mais negro, como algo a ser temido, ou, encoberto de todas as maneiras possíveis. Um pequeno exemplo: qdo alguém nos incomoda muito, seja por sua arrogância, seja por seu orgulho, tendemos a julgar e classificar esta pessoa de maneira negativa, colocando nela toda a responsabilidade por nos causar tamanha aversão. Este é exatamente o mecânismo da sombra em ação, ou seja, ao observamos mais atentamente o que está ocorrendo, por acharmos difícil olharmos para nós mesmos e reconhecermos a nossa própria arrogância e orgulho, atribuímos o que julgamos ser negativo como sendo do outro e não um aspecto nosso, que tentamos de todas as formas esconder, projetando-o para fora de nós. Porém, qto mais nos afastamos de nos vermos realmente, sem julgamentos de bem ou mal, certo ou errado, mais longe ficamos de nossa verdadeira realização. O livro: “O Efeito Sombra”, de Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson, parece ter sido obra encomendada pelos deuses do auto-conhecimento, pois, nos oferece de maneira simples e profunda, uma compreensão desse nosso lado mais sombrio, um deixar-se a auto-crítica e julgamentos de lado e realmente acolhermos o que sempre tentamos esconder de nós mesmos e dos outros, como sendo algo vergonhoso, desprezível. Um livro que pode ser considerado como um verdadeiro guia para a reconstrução de nossa alma, de nossa integridade e consequentemente, de nossa felicidade.