Arquivo para #voracidade

A Raposa e as Uvas

Posted in A doença do materialismo with tags , , , , , , , on abril 6, 2020 by carl1ike

Na fábula de La Fontaine, uma raposa desesperada por pegar um cacho de uvas saborosas tenta de todas as formas conseguir seu objetivo, mas, como as uvas estavam muito altas e fora do seu alcance, após várias tentativas, já exausta e desanimada, com desdém ela diz:

– “Observando melhor, elas não eram lá tudo isso, estavam estragadas demais”

Acrescentando a nossa versão a essa fábula:

Mas, a raposa era teimosa e persistente, ela que havia sido ferida pelo seu pai, para ser forte, para poder suportar as intempéries da mata, que havia sido humilhada, expulsa e rejeitada inúmeras vezes, que havia sido desprezada e ofendida publicamente pela sua cor, pelo seu cheiro, pelo seu jeito de falar, vendo que iria perder totalmente o jogo para outros grupos da floresta, depois de algum tempo volta à videira e resolve, além de dizer que as uvas estavam estragadas, mostrar a todo mundo como elas estavam podres, e como poderiam infectar todo mundo que as comessem.

Dessa forma, alguns animais assustados e menos astutos, acreditando na propaganda da raposa se entocaram, deixando as uvas parcialmente intactas e prontas para nossa protagonista tentar mais uma vez devorá-las, agora com menos concorrência que pudesse por em risco sua voracidade.

Mas, como nem todos estavam totalmente convencidos ainda dos problemas das uvas, passavam pelo cacho e as comiam. Então a raposa teve uma idéia, começou a espirrar e a tossir perto da videira, dizendo que ela estava infectada, que havia contraído uma doença mortal, que poderia devastar todos os animais, se o consumo continuasse.

O condor, que é o pássaro que consegue atingir a maior altitude e ver tudo de uma perspectiva bem mais ampla, num de seus vôos percebe que todos os animais haviam se afastado da videira, menos a raposa, que ficava lá, em círculos, tentando alguma coisa. As uvas, no seu ponto de vista do alto, emitiam uma luminosidade que não indicavam doença, mas, sim força e vitalidade. Descendo velozmente e num vôo rasante ele espanta a raposa e vai conferir por sí o cacho de uvas, bica uma e a experimenta, estava deliciosa e doce, come outra para se certificar, também estava suculenta e saborosa. O condor olha para a raposa, que desvia o olhar e tenta disfarçar, fingindo que arranhava o chão com suas garras, para marcar território.

Rápido, o condor dá outro rasante em direção a raposa e tenta afasta-la, ele voa em direção aos macacos, avisando-os que as uvas estavam ótimas. Os macacos alvoroçados, vão pulando de galho em galho, comunicando aos rebanhos de ovelhas e carneiros que as uvas estavam saudáveis, indo eles mesmos agora até a videira para saborea-las.

Viram que não existia apenas um cacho de uvas deliciosas, mas, uma infinidade delas, parreirais e mais parreirais, que poderiam abastecer ilimitadamente toda a floresta, por muito, muito tempo.

Olhando para a raposa, todos os animais começaram a se indignar, porque não havia mais espaço para tipos como aquele, que só pensam em si, prejudicando e enganando os outros, tentando tirar vantagem de tudo, olhando apenas para o próprio umbigo.

O canino prevendo o risco que corria, parte dali covarde e rapidamente, como fazem os animais de rapina, para se esconder entre os arbustos, e ficar na sombra, como sempre foi do seu feitio.

Sem que ninguém percebesse, ela assobia e diz para a sua matilha se reunir sorrateiramente, para que em bloco pudessem agir na surdina, à noite, enquanto todos dormiam, mas, seu plano ainda não havia dado certo…

Se você detectar alguma semelhança com alguns países que estão partindo para as compras predatorias ao redor do mundo, quando os mercados e os preços despencaram, assim que o desespero e o caos foram instalados por um processo invisível e que elimina os que já estavam debilitados, criado pela própria raposa, não será mera coincidência…